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segunda-feira, 26 de junho de 2017

“A METRALHADORA PAULISTA”




Matraca.




HISTÓRICO DA MATRACA.



“O curioso engenho bélico inventado e construído durante a Revolução Constitucionalista de 1932, denominado “matraca”, vem polarizando a atenção pública, merecendo amplo noticiário na imprensa e exibições na televisão.
Seis exemplares podem vistos, e são os únicos autênticos conhecidos, dos quais dois em poder dos Veteranos de 32, um pertencente ao Museu Ipiranga, dois outros existentes na Força Pública e agora cedidos a uma firma para ornamentação de vitrina e o sexto que está sendo exibido na exposição organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do acervo de minha coleção particular. A este derradeiro exemplar, graças, sobretudo, ao entusiasmo de Áureo de Almeida Camargo, com a sua alma cívica porejando 32, vibrou ao comtemplar a estranha “arma” e tanto se manifestou que não tardaram as reportagens e entrevistas. Até deu margem a que se fizessem cópias do original, hoje sem dúvida precioso, verdadeira relíquia de maravilhoso esforço. E fez bem porque possibilitou o aparecimento de dados de e referências que, a esta altura, já permitem fazer o histórico sumário da “metralhadora paulista”.
Assim a família do Dr. Otávio Teixeira Mendes, professor da Escola Agrícola “Luís de Queiróz” fez a justa reivindicação da invenção. Ficaram todos cientes de que o ilustre piracicabano, já falecido, que dignificou sua terra com inexcedível exemplo de bravura e amor à causa constitucionalista, à vista das dificuldades de municiar e remuniciar as linhas de frente, concebeu uma caixa de alta ressonância, imitando o matraquear das metralhadoras, sendo possível seu emprego, principalmente à noite, a fim de oferecer ao adversário a idéia de uma potência de fogo muito longe da realidade.
A leitura da documentação e informações divulgadas pela família do Prof. Otávio Teixeira Mendes, levou-me a outras indagações sobre a construção da “máquina de guerra” e seu emprego. Até então, o que se podia saber estava condensado por Herculano de Carvalho e Silva, Coronel da Força Pública que assumiu o governo militar de São Paulo, após o final do movimento, por determinação do General Góis Monteiro. O Cel. Herculano escreveu o livro “A Revolução Constitucionalista” e às páginas 47,73 e 74, 230 e 231 e 233, fez referências à matraca, publicando a sua primeira fotografia, entre as páginas 72 e 73, com a legenda “A matraca, mais engenhosa que o célebre cavalo de Tróia”. Demonstrava o Cel. Herculano a penúria de armamento e um dos mais notáveis recursos da improvisação bélica. Pois, nessa, nessa improvisação, na capacidade assombrosa de produção, na adaptação imediata à uma situação para quase todos inesperada, no ardor vivido e sentido, na integração imediata de um povo aceitando devotadamente, sem olhar a qualquer sacrifício, a causa a que serviu com heroísmo, é que se encontram os miraculosos elementos da Epopéia impar na História do Brasil.
O livro do Cel. Herculano tem o mérito, particular no caso da matraca, de lhe dar uma posição de relevo fundamentalmente histórica, revelando seu emprego no Setor Norte e sua construção nas oficinas da Rede Viação Sul-Mineira, em Cruzeiro. Utilizaram-na, inicialmente, os combatentes paulistas do Setor Norte no Batedor, na Zona do Túnel.
Entretanto, não só em Cruzeiro fora fabricada a nova “arma”. Também em São Paulo e nas oficinas do Serviço de Material Bélico da Força Pública, o que significava a boa aceitação do engenho pela “sua eficiência”. O modelo viera das primeiras “peças” aparecidas em Cruzeiro, entre 21 e 25 de agosto. Em São Paulo, encarregou-se da construção das matracas o então Sub- Tem. Especialista Onofre Hardt, hoje Capitão reformado.
E igualmente esteve presente na zona de operações do Setor Sul, sendo os exemplares aí utilizados oriundos do Material Bélico da Força Pública.
No Sul, conforme as fontes consultadas, a matraca foi empregada pelo Ten. Geraldo Rangel de França, atual Coronel Inspetor Administrativo da Força Pública, na região do Cerrado, fronteiriça ao rio das Almas, sendo acionada pelo sargento Coqueiro que se revelara especialista no manejo da caixa de ressonância.
O Ten. Geraldo recebera-a do Cel. Marcílio Franco, Comandante do 9 de Julho, já no mês de setembro. Como em todas as frentes nem o armamento nem a munição sobravam. Havia falta, e muita, o que era suprido pelo animo alevantado dos combatentes ostrificados em suas trincheiras.
Nos demais setores, desconheço a utilização do simulacro de metralhadora, um dos recursos postos em pratica para suprir deficiências e escassez de material bélico na jornada memorável iniciada vigorosamente ao anoitecer de 9 de julho que cobriu de honra e glória a História do Brasil por três meses imortalizados numa Epopéia Constitucionalista.”         A. Gomes.

O texto acima é a transcrição de matéria publicada em jornal de 1957, Edição Comemorativa da Epopéia Paulista, relato de A. Gomes.







Dr. Otávio Teixeira Mendes foi integrante do Batalhão Piracicabano.



Fonte.

Jornal “A Gazeta”, Edição Comemorativa Retrospectiva da Epopéia de 32, 9 de julho de 1957 (arquivo pessoal).

Fotografias:
– Publicação: Constitucionalista 80 Anos da Revolução de 1932, Câmara dos Deputados, São Paulo, 2012.
               - http://voluntariosdepiracicaba.blogspot.com.br




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
25/06/2017.



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