Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A GUARDA NACIONAL.



A Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, em substituição às antigas milícias, a instituição existiu no Brasil desde logo após a Independência do Brasil, para cujo acontecimento muito direta e valiosamente concorreu.
Somente em 1850, com a promulgação da lei nº 602, de 19 de setembro desse ano, foi que teve regular e proveitosa organização, quer no Rio de Janeiro, antiga Côrte, quer nas províncias, sendo a qualificação de guardas, sua reunião periódica para revistas e instrução, obrigatória e geral.
“Os serviços relevantíssimos que seus batalhões prestaram durante a Guerra que sustentávamos contra Solano Lopes, o tirano do Paraguai, escusamo-nos aqui relembrar, pois constituem páginas e passagens as mais brilhantes da história dessa luta heróica, dessa grandiosa e civilizadora guerra em que nos levamos empenhados durante o quinquênio de 1865 -1870. Qual força numérica de que dispunha o Exército permanente – a tropa de linha, nessa época?
Qual o número de força combatente que o Brasil manteve em pé de guerra dentro ou fora do território pátrio? O simples cotejo dessas cifras seria o bastante para aferirmos do valor, do respeito, do prestigio de que então gozava a Guarda Nacional, como força realmente existente, à qual pertenciam todos os brasileiros validos, sem distinção de classes ou posições sociais, não presentemente, extremamente simples obstante serem as suas fardas desprovidas de tantos doirados que as enfeitam presentemente, extremamente simples os seus armamentos e viaturas, mas transluzindo nelas a nobreza e o patriotismo, a bravura e heroicidade de nossos maiores, que, acima de todos os preconceitos e interesses, olhos fixos no Cruzeiro celestial, só tinham em mira a defesa da nossa soberania, da honra e brios pátrios, custasse-lhes embora o sacrifício da própria vida.” (Palavras do autor X.)

Terminada essa prolongada luta a Guarda Nacional ficou um tanto esquecida e estagnada, até que em 1893 com o início da Revolta da Armada, São Paulo conseguiu mobilizar, em poucos dias, vários batalhões o que muito contribuiu com a vitória do governo do Marechal Floriano Peixoto. Os serviços que a nossa Guarda Nacional prestou em defesa do Estado e também no Paraná foram os mais dedicados e relevantes.
Terminada esta luta civil a Guarda Nacional volta novamente a estagnação até 1904 quando um grupo de oficiais pertencentes à 55ª Brigada de Infantaria, composto pelos senhores: Cel. José Piedade, Capitães e doutores: João Pamphilo de Assunção, Fausto Dias Ferra e o Tenente Coronel Arthur Barbosa, tomou a missão de promover a constituição, na Capital, de uma associação de classe à qual foi denominada de “Club da Guarda Nacional de São Paulo”, cujo os principais fins consistiam na agremiação da oficialidade, sua instrução e a prestação do apoio moral e material para manter e assegurar-lhes a honras e prerrogativas que lhes eram atribuídas pelas leis vigentes.
Esta decisão dos oficiais foi acolhida com entusiasmo em todo o Estado, dela resultou a reorganização completa da Guarda Nacional em São Paulo, baseada pelo decreto de 8 de maio de 1905 e assim foi feito também nas principais comarcas do Estado.
Das quarenta brigadas existentes restaram apenas cinco compostas de oficialidade essencialmente brasileira e digna de vestir a honrosa farda.
Apesar dos problemas financeiros enfrentados pelos Clubes conseguiu honrar seus compromissos e ainda forneceu incentivo e encorajamento para a luta aos companheiros e associados do interior.
O Coronel Dr. José Brasil Paulista da Piedade deverá sempre ser lembrado e seu nome vinculado para sempre na história da Guarda Nacional pelos esforços dispendidos em toda a trabalhosa contingência de reorganização da Guarda Nacional neste Estado e não esquecendo também do nome do Coronel Dr. Carlos de Campos, seu digno antecessor no comando superior, que muito concorreu também, com seu prestigio moral e político para que se conseguisse levar a efeito a reorganização da Guarda Nacional em São Paulo.
Há de se lembrar de inúmeros nomes de oficiais de grande valor que faziam parte do corpo da Guarda Nacional entre eles Asdrubal do Nascimento, C. Klingelhofer, Raymundo Duprat, Theodoro Carvalho, Horta Junior, Rangel de Freitas, Francisco Amaro, Linneu Machado, Pamphilio de Assumpção, Brasilio Ramos, Fausto Ferraz, Octaviano Prado, Siqueira Campos, Aristides de Castro, Frederico Branco, Gomes Cardim, Fagundes, Silva Guimarães
O Quartel General do Comando Superior, com todas as repartições que lhes são dependentes funcionavam em um grande edifício à Rua do Carmo, 22, em seu 2º andar estava instalado o Clube da Guarda Nacional.

O texto acima foi baseado em matéria homenageando a Guarda Nacional, publicada no “Álbum Imperial” de 1906.
























A Guarda Nacional na cidade de São Pedro, SP.

A organização da Guarda Nacional em São Pedro deu-se a partir do ano de 1900. O conselho de classificação sob a presidência do Juiz de Paz, era responsável pela lista de cidadãos de boa conduta e responsabilidade, residentes na povoação: depois, essa lista era enviada à Câmara Municipal e, se aprovada, era enviada ao Presidente do Conselho Geral de Qualificação, para nomeação e emissão dos títulos.
A Guarda Nacional da Comarca de São Pedro – Batalhão de Infantaria 36 - foi assim formada:

COMANDO SUPERIOR:

- Coronel Comandante Superior Malachias Rogério de Salles Guerra
- Tenente Coronel Chefe do Estado Maior Joaquim Norberto de Toledo.
- Major Secretário Geral João Mendes Godoy.
- Major Ajudante de Ordena Henrique Pinto da Silva e
                                               Paulinho Teixeira Escobar.
- Major Quartel Mestre Salvador Mancini.
- Major Cirurgião Dr. Alfredo José Teixeira.
- Major Fiscal Antonio da Silveira Castro.
- Capitão Cirurgião Dr. Pedro Bourgogne.
- Capitão Ajudante Joaquim Moreira Coelho.
- Tenente Quartel Mestre Domingos Eurico Gomes.
- Tenente Ajudantes José de Paula Campos e
                                 Antonio José do Amaral Rocha.


PRIMEIRA COMPANHIA:

- Capitão Manoel Francisco Rodrigues Junior.
-Tenentes José de Almeida Castro e
                 Afonso Augusto de Andrade.
- Alferes João Antonio Pedroso e
               Bonifácio de Andrade Pereira Rodrigues.

                  Era composta ainda pela 2ª, 3ª, 4ª Companhia e mais 1ª, 2ª, 3ªe 4ª Companhia do Batalhão Reserva.



Carta Patente nomeando Joaquim Norberto de Toledo. (arquivo pessoal).



Detalhe da carta patente de Joaquim Norberto de Toledo.



Em 1892 a Guarda Nacional foi transferida para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores e em 1918 passou a ser subordinada ao Ministério da Guerra, sendo incorporada como exército de 2ª linha, acabando diluída.
Sua última aparição pública foi no dia 7 de Setembro de 1922 no Rio de Janeiro participando em desfile da Independência do Brasil.




Fonte.

Revista Álbum Imperial, Guarda Nacional por X., ano I, nº 24, 20 de dez. de 1906, pág. 162.       

CHIARINI, A.R., Resenha  Histórica do Município de São Pedro, 2ª ed., Imprensa Oficial do Estado S/A, São Paulo1982, 86p.


Imagens arquivo pessoal.




Veja mais sobre a Guarda Nacional em São Pedro, SP.



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
27/04/2017.


 [MHdTSM1]

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Herói da Mantiqueira.







Entrevista do Coronel Mário da Veiga Abreu, cognominado o ‘Duque de Cunha”, publicada na revista “O Mundo Ilustrado” em julho de 1954.
Texto de Barbosa Nascimento.

“Cercado pelo carinho da filha e dos netos vive, hoje, numa casa ajardinada da rua Mario Barreto na Tijuca, um herói gaúcho da Revolução Constitucionalista de 1932. Dele disse ao repórter o General Bertoldo Klinger:
“- O Cel. Mário da Veiga Abreu foi um gigante no comando do Setor Mantiqueira”.
O Bravo militar, no decorrer da entrevista, que começou à noite e se prolongou pela madrugada do dia seguinte, feriu de frente todos os aspectos da epopéia paulista e frisou que a bandeira da liberdade desfraldada em 9 de Julho de 1932 continua tremulando como um sinal de alerta à consciência cívica dos brasileiros. Ponderou o Cel. Mário Abreu que a situação do Brasil é, atualmente, idêntica à daquela época.
- Vivemos num caos. E as comemorações programadas para o 9 de Julho, em São Paulo, constituem, evidentemente, uma advertência oportuna aos homens públicos dessa hora conturbada – objetivou o antigo comandante do Setor da Mantiqueira.

Página Honrosa.

O Cel. Mário da Veiga Abreu fora cognominado pelos seus companheiros da Revolução de Duque de Cunha. Homenagem dos revolucionários ao bravo da Mantiqueira. Ele relembra com modéstia os seus feitos, mas enaltece a coragem, o desprendimento e o estoicismo de seus comandantes e dos demais chefes da Revolução Constitucionalista. Não esconde, entretanto, o seu orgulho, quando alude às referências que a seu respeito fez o saudoso Armando Sales de Oliveira, em discurso pronunciado na cidade de Guaratinguetá, em 12 de outubro de 1934. Descrevendo os desesperados esforços que os revolucionários faziam para recompor a situação assinalada com êxito das forças governistas, lembra o Sr. Armando Sales a brilhante ação da tropa sob o comando do Cel. Mário da Veiga Abreu. É uma página que honra a qualquer um. Para o Duque de Cunha ela vale pelo seu maior galardão. Sua transcrição é necessária para edificação da História: “Para que nem tudo fosse sombra, uma rajada de alegria soprou mais ou menos na mesma ocasião sobre as trincheiras paulistas, a notícia de uma brilhante vitória no Setor Cunha. Na hora em que os adversários procuravam cortar a retaguarda de nossas forças, estas desencadearam um ataque brusco e firme. Conseguindo ocupar o espigão do Divino Mestre as nossas tropas impediam definitivamente qualquer incursão pela estrada de Parati a Cunha.
Os risonhos vales e as lombas suaves da Serra do Mar encheram-se do eco das aclamações que o povo paulista erguia – deslumbrando por aquele súbito luar na noite negra do seu tormento. A bela vitória foi dirigida e conquistada pelo Cel. Mário Abreu, Comandante do Setor. Não desejaria citar nenhum nome nesta leve evocação daqueles dias heróicos. Mas abrindo para o ilustre oficial uma exceção, eu presto uma homenagem aos homens de outros Estados que puseram a sua vida e o seu futuro em uma causa que, se era essencialmente brasileira, sob muitos aspectos só pertencia a São Paulo.

Fora da Política.

O antigo comandante do Setor da Mantiqueira foi revolucionário de 1922 e de 1930. Dois anos depois, desencantado com a conjuntura política do país compreendendo que havia sido postergados os ideais pelos quais lutou, desembainhou mais uma vez a sua espada para, ao lado do povo paulista, defender a lei. Ao término da gloriosa arrancada, integrou-se novamente na vida da caserna. Do Cel. Mário Abreu disse ainda Armando Sales de Oliveira:
“- Fiel aos ideais de servir o Exército como a mais poderosa força de coesão brasileira, ele se pôs à margem das lutas partidárias e subordina seus passos aos imperativos do dever patriótico!”
Eis, em síntese, o pensamento do Cel. Mário da Veiga Abreu:
“- A chama dos ideais da Revolução de 9 de Julho arde imperecível no coração dos paulistas em particular, e dos brasileiros em geral. Não foram em vão que centenas de vidas se perderam no Solo de Piratininga.”








Fonte.

Revista “O MUNDO ILUSTRADO”, nº 75, 7 de julho de 1954, pág. 33. (Arquivo pessoal).




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
21/04/2017.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Índios na Revolução de 1932.


Nossa homenagem hoje será dirigida aos Índios Brasileiros Voluntários na Revolução Constitucionalista de 1932.



Índios Guaranis.

Nos livros sobre a Revolução Constitucionalista de 1932 pouco ou quase nada se relata sobre a participação dos Índios. 
A maioria dos voluntários Índios participaram da Revolução de 32 integrados aos Batalhões da Legião Negra. Participaram dos combates em trincheiras e também prestaram serviços de exploração de terrenos, comunicação, transporte, sapadores e junto aos bravos bombardas.
As principais frentes de combate da Legião Negra na guerra eram: Frente Leste (na divisa com o Rio de Janeiro); Frente Norte (divisa com Minas Gerais); Frente Oeste (divisa com Mato Grosso) e a Frente Sul (divisa com Paraná).
Alguns Índios vieram do Paraná e outros Estados.  Entre os participantes havia Índios Guaranis.
Os índios demonstraram excepcional fibra e coragem em todos os combates.


Pelotão da Legião Negra nos primeiros dias de instrução militar.






Sapadores.










Posse do Comandante Civil da Legião Negra.

















Índios acantonados.



Dia do Índio.

O dia do Índio no Brasil foi criado pelo Presidente Getúlio Vargas, através do decreto-lei 5540 de 1943.
O dia 19 de Abril foi sugerido pelos líderes indígenas do continente que participaram no México do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano.
O Brasil demorou um tempo para aderir ao instituto. Apenas com a intervenção do Marechal Rondon instituiu o dia 19 de Abril como dia do Índio.


Índios Guaranis Kaiowá.



Fonte.


bloghistoriacritica.blogspot.com.br

booksgoogle.com.br



http://www.cnlb.org.br/?p=619

Revista “O Cruzeiro” de 22 de outubro de 1932 (arquivo pessoal).
Revista “O Cruzeiro” de 12 de novembro de 1954 (arquivo pessoal).
Jornal “A Gazeta de 9 de julho de 1954 (arquivo pessoal).



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
19/04/2017