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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De 1932 uma Reflexão para os dias atuais.


Reportagem especial sobre a Revolução Constitucionalista de 1932.

O título acima foi usado por Ruy Martins Altenfelder Silva, num brilhante artigo para a revista Digesto Econômico, edição comemorativa dos 70 anos da Revolução Constitucionalista de 1932. Portanto, editada em 2002, de seu conteúdo nada precisa ser reescrito e continua atual. Vamos a ele.

Ruy Martins Altenfelder Silva

Cabe a nós, principalmente os homens e as mulheres da geração de 30 e 40, recordar o 9 de julho e contar a nossos filhos e netos o que foi o movimento de 1932 e seu verdadeiro significado.
Podemos trazê-lo como exemplo para os tempos atuais, como inspiração para desenvolver o sentimento de cidadania e contribuir para o bem de São Paulo e, consequentemente para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Relendo os discursos de Armando de Sales Oliveira, encontrei dois trechos sobre a Revolução de 1932 que merecem reflexão:
“À medida que o tempo passa, generaliza-se o julgamento da revolução paulista. Só um pequenino grupo persiste no propósito de denegri-la, de amesquinhá-la e até de ignorá-la. Esses homens, numa empresa impossível, investem contra uma montanha e tentam derrubá-la.”
“Movidos em determinado instante por um só impulso, os paulistas despertaram com súbita energia para uma fulgurante campanha de dignidade e de civismo. Alimentados por uma fé poderosa dissiparam com um largo gesto todas as dissensões, reuniram as forças de sua atividade criadora e de sua inteligência prática e fundiram-se numa perfeita, luminosa unidade. Foram, então, para o combate, sustentados pela febre que lhes batia nos pulsos e nas frontes. Uma a um, os paulistas levaram a sua pedra para montanha imperecível, que cimentaram com o generoso fermento de seu sangue. Quem não teria gravado no mais profundo da memória aquelas dias de transfiguração.”
Respondendo a questionamentos injustos sobre o papel da Revolução de 32, Armando de Sales Oliveira, continua:
“Ao pé desta montanha radiosa e inacessível irão em pensamento cantar seu hinos, numa constante renovação de amor, de esperança e de patriotismo, as gerações vindouras que ela alimentará com a lembrança de uma página de heroísmo nobilitante não somente para a história paulista, não somente para a história nacional, mas para a história da própria Humanidade.”
Mais adiante, evocando os heroicos bandeirantes ele afirma:
“O bandeirante sabe que serão inócuas as tentativas de adormecer a energia paulista dentro de um horrível imediatismo materialista e que os ideais de São Paulo, postos muito altos como o de todos os grandes povos, só se conquistarão através do esforço ininterrupto de gerações incontáveis. Ele sabe que São Paulo conserva tão íntegro o espírito construtor de seus antepassados e, mesmo quando se levantou numa revolução avassaladora, não fez senão uma revolução iminentemente construtiva e cívica. Ele sabe – o bandeirante – que São Paulo é grande!”

Faço questão de citar estes trechos dos discursos de Armando de Sales Oliveira e, ao mesmo tempo, invocar a Revolução de 1932 como exemplo para as novas gerações, porque penso que estamos vivendo uma revolução cívica. Penso que é o momento de cada um assumir uma postura de cidadão nesta verdadeira revolução pela ética na política, pelas profundas reformas estruturais de que o País precisa e que, no entanto, ficam apenas no terreno das boas intenções.
Todos nós, exercendo o legítimo direito – eu diria até a obrigação – de cidadão, devemos pressionar aqueles que têm responsabilidade no Congresso Nacional para que retomem o projeto das reformas estruturais de que o Brasil precisa: a reforma política, a reforma tributária (tão decantada e nunca realizada), a reforma previdenciária, a reforma administrativa, a reforma da arcaica legislação trabalhista, a reforma (iniciada, felizmente) da educação básica e do ensino profissionalizante, a reforma universitária, a reforma da saúde e a reforma da segurança pública – tudo isso desaguando na justiça social. Nós todos temos a responsabilidade de contribuir para que ela se faça o mais rápido possível.
O exemplo de 32 não pode ficar apenas na História. Deve ser sempre recordado, sempre reprisado, para que os paulistas possam, mirando-se no exemplo de 32, realizar, efetivamente, a revolução cívica de que o Brasil precisa para o bem de todos os brasileiros”.

Texto de Gerson Soares.

Da revista nº 8 da Academia Paulista de História.


Fonte.
Postado em Blog, História de São Paulo, Revolução de 1932
Quarta-feira, 9 de julho de 2014 às 16:20 h. 






Publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
10/02/2017.


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