Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Armas em Funeral.



 Homenagem ao Ex – Combatente de 32, Prof. Antonio Andrade de Guimarães, “Sr. Totó”.


Prof. Antonio Andrade Guimarães, "Sr. Totó".
fot. Soc.Vet. de 32 MMDC.


Comunicamos o falecimento do Ex-Combatente da Revolução Constitucionalista de 1932, Prof. Antônio Andrade Guimarães, conhecido como “Sr. Totó”, no dia 28 de janeiro de 2017 aos 103 anos, na cidade de Vera Cruz, região de Bauru/SP. Faleceu em consequência de uma queda acidental em sua residência.
Em 1932 “Seu Totó” foi um dos mais de 100 mil homens, que se alistaram voluntariamente para combater a ditadura do governo daquela época, sendo, então, um dos mais de 20 mil voluntários que embarcaram para os campos de batalhas, participando nos combates principalmente no Setor Sul.

O Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna” homenageia o Herói Constitucionalista, Antonio Andrade Guimarães e se solidariza aos familiares.



Voluntário Antonio Andrade Guimarães.
Foto Soc.Vet. de 32 MMDC.



Veja mais informações sobre o Voluntário Combatente de 32 nos links a seguir:








Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Aniversário de São Paulo, 2017.


Curiosidades Históricas sobre São Paulo.



As Muralhas de São Paulo.



"Os Muros de São Paulo Quinhentista" - Antonio Silva.




Na imagem podemos observar essas muralhas que cercavam a povoação quinhentista, que constava apenas do terreno hoje ocupado pelas ruas centrais, chamadas “O Triangulo”.
Segundo Taunay, em seu livro “São Paulo nos primeiros anos (1554 – 1601)” concluiu: “Assim pois, surgiu São Paulo, pelo século XVII a dentro, murado de toras e rudes taipas, como se fora uma praça de guerra medieval.”
Trecho extraído de artigo de Assis Cintra, 1954.



Catedral de São Paulo.


[...] “Estamos em 1946, dispendendo a média de Cr$150.000,00 por mês, e hoje, sem mais faze vaticínios de tempos, temos que redobrar, nossos esforços e nosso apelo à generosidade dos contribuintes afim de que possamos aí celebrar as festas do quarto centenário da fundação de S. Paulo, fazendo ao menos cobrir as cinco naves do templo e revestir provisoriamente os seus pisos correspondentes.
Estamos a pouco mais de sete anos da data de 25 de Janeiro de 1954; o tempo voa mais célere do que imaginamos e só bem compreendido na sua rapidez depois de passado.
Foi aqui que em modesta palhoça, servindo de Casa de S. Paulo, celebrou-se uma missa e solenizou-se, em nome de Deus e do Grande Apóstolo, o batismo de nosso Estado. Os paulistas não podem ficar indiferentes; tem de vencer necessariamente em seus desígnios. É aqui que, dentro da Catedral, ainda inacabada mas revelando em suas linhas soberbas a majestade da nova casa de S. Paulo, havemos de corresponder agradecidos ao largo pensamento dos treze jesuítas que plantaram a Matriz de Piratininga.
[...] Não esmorecemos. Visto que para ultimar em tempo os trabalhos preparatórios para as festas do Centenário, [...]
Trecho extraído do Relatório Nº 26 sobre as obras da Catedral de São Paulo, pág. 4 e 5.





A Catedral como foi inaugurada em 1954. (fot. Leopoldo Aires)



E assim foi inaugurada a Catedral de São Paulo em 25 de janeiro de 1954.


 Obs. - As torres da Catedral só foram concluídas em 1967.




Santo Antônio, Coronel das Tropas Paulistas.



“Entre a vasta documentação inédita existente no Departamento do Arquivo do Estado, o venerando depositório da nossa história, encontra-se no Livro nº 17 (manuscrito), pag. 154, uma curiosíssima e interessante Carta Patente expedida pelo Capitão – General Governador da Capitania de São Paulo, D. Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão, mais conhecido na história pelo título de Morgado de Matheus. A referida Carta Patente, confere ao glorioso e sempre invicto Santo Antônio, o posto de Coronel das Tropas da então Capitania de São Paulo.
D. Luiz Antônio, foi o 9º Capitão-General nomeado, que administrou, durante dez anos, com rara inteligência, grande talento e boa justiça, a vasta Capitania, que depois foi província, hoje Estado de São Paulo.
Foi na sua gestão, de 1765 a 1775, que se iniciou, por sua ordem expressa, o primeiro recenseamento de São Paulo, o que ainda hoje existe, carinhosamente guardado nas salas da História do Arquivo do Estado. Homem dinâmico, empreendedor, severo as vezes, foi o Morgado de Matheus, um dos mais ilustrados e distintos Capitães-Generais que governaram São Paulo, no tempo colonial.
Vejamos agora o documento, que confere ao bondoso padroeiro a Patente de Coronel das Tropas Paulistas, a pedido do Provedor e mais Irmãos de Santo Antônio.

“Patente porq. S.Exca, há por bem oferecer ao Invicto e Glorioso Santo Antonio o posto de Coronel das Tropas desta Capitania para que abençoando-as e formando-as debaixo de Seu Patrocínio, as ampare, e proteja em todos os seus movimentos.
Dom Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão, Morgado de Matheus Fidalgo da Casa de S. Mage e de seu Conselho, Senhor Donatário da Villa de Ovelha do Marão, Alcaide mor, e Comendador da Comenda de Santa Maria de Vimioza de Ordem de Christo Governador atual do Castello da Barra de Vianna, Governador e Capitão General da Capitania de São Paulo, etc. Faço Saber aos que esta minha Carta Patente virem, que sendo-me presente por parte do Provedor, e mais Irmãos da Irmandade do Sr. Santo Antonio, erecta pelo Ordin.o, na Capela filial da Sé desta Cidade, que para aumento da devoção do mesmo Santo e a imitação do que se tem praticado nas demais Capitanias deste Brazil me pedirão lhe mandasse passar Patente de Coronel do Regimento Desta Capitania, e atendendo a que o sobredito Santo é admirável em Milagres, e singular Protetor dos Portugueses, e Santo do meu nome, mt. poderoso para com o Senhor do Exército, q. tem na sua mão. Hey por bem de lhe oferecer ((como por esta lhe ofereço) humildemente, com toda a devoção, o posto de Coronel das Tropas desta Capitania de São Paulo, e lhe rogo queira recebe-las debaixo de Sua grande proteção, abençoando-as, e fazendo-as triunfar e dilatar o Domínios de S. Mage. Fidelíssima, com Gloria da Nação, q. lhe devo ser. Pelo que Ordeno aos Oficiais, e Soldados das Tropas de toda esta Capitania recomendação ao Glorioso, e Invicto Santo Antonio por seu Coronel, e como tal recorrerão para os prover de remédio em todas as suas necessidades assim Temporais como Espirituais. E por firmeza do referido mandei passar a presente, q. vai por duas vias, por mim assinada, e Selada com o Sinete de Minhas Armas. Dada nesta cidade de São Paulo. Pedro Martins Caminha oficial da Secretaria a fez aos cinco dias de Janeiro de mil setecentos de sessenta e sete – Thomas Pinto da Silva, Secretário do Governo a fez escrever.
D. Luiz Antonio de Souza.”


Transcrição de artigo de J. Davi Jorge (Aimoré), publicado no jornal “A Gazeta” de S. Paulo, 1954.



Jornal "A Gazeta" de São Paulo, 25/01/1954. 




Capa do Relatório da Comissão Executiva
         das obras da Catedral de São Paulo.



PARABÉNS SÃO PAULO!!!!!!!!!!!!
Terra de Heróis!

Homenagem do Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32” de Jaguariúna.


Capa do Jornal, edição especial do IV Centenário de S. Paulo, com ilustração de Messias Melo.


Fonte.
Arquivo pessoal:
Jornal “A Gazeta”, São Paulo, 25 de janeiro de 1954, Edição Especial do IV Centenário.

Relatório nº26. Comissão Executiva das Obras da Nova Catedral de São Paulo. 1º de janeiro de 1945 à 30 de setembro de 1946.



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

CERIMÔNIA DE INUMAÇÃO DE HERÓIS DE 1932.



Certificado de Inumação, 1957.


               A imagem, que foi publicada no Jornal “A Gazeta” em 10 de julho de 1957, é do Certificado de Inumação dos que foram inumados no columbário do Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista pelos veteranos de 32 MMDC, Sociedade Cívica Brasileira no dia 9 de julho de 1957.








Neste dia foram inumados:

Embaixador Pedro de Toledo (Governador Paulista em 1932),

General Júlio Marcondes Salgado,

 Dr. Carlos de Souza Nazareth,

General Palimércio de Rezende,

Cap. De Fragata Nelson Augusto de Mello,

Cap. Aviador Adherbal de Oliveira,

Cap. Antônio Ribeiro Junior,    
     
Guarda Civil Natal Martinetto,

Voluntário Delmiro Figueiras Sampaio,

 Voluntário Hermes de Moura Borges e

Voluntário João Pereira dos Santos,







Assinaram o Certificado de Inumação em São Paulo de Piratininga, Brasil: Bispo Auxiliar da Arquidiocese D. Paulo Rolim Loureiro,
 Sr. Mércio Prudente Correia, Presidente da Sociedade Veteranos de 32 -  MMDC e o
Sr. Antônio Benedicto Machado Florence, Chefe do Cerimonial da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC.





A Cerimônia.


Na reportagem fotográfica, publicada na primeira página do Jornal “A Gazeta” – Notícias e Telegramas de 10 de julho de 1957, mostrou diversos aspectos da cerimônia de transladação e inumação dos restos mortais dos onze heróis da Revolução de 1932. “Nelas veem-se o Monumento da inauguração da estátua junto ao Soldado Morto; a saída do cortejo fúnebre da Catedral Metropolitana; o governador em exercício, General Porfirio da Paz, e a filha do Embaixador Pedro de Toledo conduzindo a urna com os despojos do ilustre homem público; Ibrahim Nobre e outros carregando a urna do General Júlio Marcondes Salgado; ex-combatentes conduzindo as urnas dos outros heróis; o poeta Guilherme de Almeida ao pronunciar uma oração ao lado do Sr. Antônio Benedito Machado Florence, chefe do protocolo das cerimonias; e o Diretor da Guarda Civil, o poeta Guilherme de Almeida e outros, quando carregavam os despojos de Natal Martinetto.”

Meu pai, Joaquim Norberto de Toledo Junior, Voluntário no 1º Batalhão Piracicabano, esteve presente nesta cerimônia carregando, junto a outros Ex-Combatentes, a urna com os despojos do Voluntário João Pereira dos Santos. 











A filha do Embaixador Pedro de Toledo.





Guilherme de Almeida.




Joaquim Norberto de Toledo Junior, à direita.








Fonte.

Arquivo pessoal:

Jornal “A Gazeta”, edição comemorativa do 9 de Julho, 10 de jul., 1957.

Jornal “A Gazeta”, Notícias e Telegramas, 10 de jul., 1957.





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

EPISÓDIO DA EPÓPEIA DE 1932.




 O General Brasílio Taborda, revolucionário constitucionalista, comandou a praça de Santos, do Setor Sul e foi chefe de Polícia da cidade de São Paulo nos dias de lutas de 1932, narra fatos ocorridos durante a Revolução Constitucionalista em entrevista para a revista “O Mundo Ilustrado”.



Entrevista do Gal. Brasílio Taborda - Revista "O Mundo Ilustrado".




Transcrição da entrevista:


“- Fui surpreendido com a notícia do início da Revolução no dia 9 de julho, pois que o combinado era para uma semana depois. Borges de Medeiros havia comunicado aos conspiradores que não se responsabilizaria pelo Rio Grande se o movimento fosse deflagrado antes de 15 ou 16.


Aventura.

- Apesar disso, cumpri meus compromissos com meus camaradas revolucionários. Abandonei o E.M. do Exército, onde servira e estive escondido, aqui no Rio, até o dia 14, pois havia ordem de prisão contra mim.
- Disfarcei-me de pescador, com roupa e chapéu apropriados e os respectivos tamancos e parti, numa lancha de pesca, levando comigo, também assim disfarçados, os aviadores José Gomes Ribeiro (que morreu em combate) e Orsini Coriolano, hoje Brigadeiro, e mais o jovem Mario Machado Bittencourt (neto do Marechal Machado Bittencourt Campos Salles), morto com José Gomes Ribeiro, com quem voava como observador.
- Embarcamos na Ponta Semambetiba (Sepetiba) à meia noite de 15 para 16, navegamos para o sul.
- Em Santos, encontramos ameaça de greve dos estivadores e instabilidade na praça. Em frente ao comando local, uma sentinela mandou-me descer no passeio. Disse-lhe que tinha um recado do Coronel Taborda para o Comandante. Ele olhou o “pescador sujo, mal vestido, de tamancos” e chamou um cabo. Escoltado por duas praças e o cabo fui conduzido ao gabinete do comando, onde os soldados se assustaram ao ver o Capitão (hoje General) Rodrigo José Mauricio levantar-se e abraçar-me.


Comandante, em Santos.

-Viajamos para São Paulo em automóvel e ainda disfarçados de pescadores
- continuou o General Taborda – na rua Conselheiro Crispiano, o sentinela não quis deixar que eu entrasse no Q.G. do General Klinger. Mas, afinal, estava eu na sala de espera e vendo a porta aberta, entrei. O Capitão Scipião de Carvalho avançou contra o “pescador” perguntando o que queria ali. Mas, Klinger já me abraçava.
- Arranjaram-me uma farda e fui mandado para Santos, para comandar a praça.
- Poucos dias estive ali. Estava eu redigindo as últimas instruções para a defesa da praça caso fosse atacada pela Esquadra, quando recebi ordem telefônica do General Klinger para assumir o comando do Setor Sul, com urgência.


Pânico no Sul.

- Cheguei em Itapetininga antes do amanhecer de, se não me engano, no dia 22 de julho. Muita força retirava-se em debandada, É que ante o ímpeto da ofensiva de Waldomiro Lima, em Itararé, o Coronel Moraes Pinto, da Policia Paulista, que comandava aquele setor ordenara a retirada. A situação era de pânico e desordem. O Comandante abandonara sua tropa.
- Em Itapetininga, encontrei um batalhão de provisórios da Polícia, de 300 praças. Foi a primeira tropa que pus sob meu comando e fiz regressar ao “front” no caminho um. A seguir, encontrei um esquadrão de cavalaria da, Polícia de São Paulo comandada pelo Capitão Amaral, que vinha indignado com a infâmia cometida pelo Coronel Moraes Pinto. Esse Capitão Amaral, então sob meu comando, prestou relevantíssimos serviços.
- Recebi mais algum, a tropa e, vindo em retirada por falta de Comando Geral, o Batalhão 14 de Julho, composto por médicos, advogados, engenheiros, etc., uma autêntica tropa de elite.
- Reunindo toda a pouca tropa de que dispunha, já no dia 26 tinha organizado toda a linha de defesa, depois de ter reconquistado 70 quilômetros, apesar de infelizmente não dispor, como artilharia, senão de uma bateria vinda de Mato Grosso e com pouca munição.


Ironia da sorte.

- Terminara o pânico. Poderíamos fazer frente, como o fizemos, à numerosa tropa legalista comandada pelo General Waldomiro Lima.
- Ordenei uma missão durante à noite, sob o comando do Tenente Negrão. Pela manhã, as 8:00 horas comunicou – me ele que a patrulha havia alcançado o E. M. de um contingente da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e que, no tiroteio, o comandante gaúcho havia morrido ante as metralhadoras da patrulha. Somente mais tarde vim a saber que o comandante morto era o Coronel Aparício”.


Estes relatos foram publicados na revista “O Mundo Ilustrado”, nº 76, Ano II, 14 de julho de 1954, RJ. Arquivo pessoal.


 
General Brasílio Taborda.
                     (fot.www.novomilenio.inf.br)




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.