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terça-feira, 26 de julho de 2016

OS NOSSOS SOLDADOS NA FRENTE (1932).



Pronunciamento de Armando Erbisti e carta de meu pai, Voluntário Joaquim Norberto de Toledo Junior, publicados no Jornal “Diário Popular” sem data, mas provavelmente em agosto de 1932, pois neste período meu pai encontrava-se combatendo nesta região.
A seguir a transcrição dos textos.


“OS NOSSOS SOLDADOS NA FRENTE”

“De Silveiras, onde está com os “Fuzileiros Santistas”, escreveu o Tenente Armando Erbisti, comandante dos valorosos soldados: “Aqui, o mesmo entusiasmo de sempre. Rapaziada toda disposta a manter até o fim a luta em que nos empenhamos desde o memorável 9 de Julho.
De quando em quando um avião dá o arzinho da sua graça... Há dias, um aparelho ditatorial arremessou uma bomba no nosso rancho, tendo causado pequenos estragos e ferimentos leves em alguns soldados, cuja lista está com o Djalma Freixo.
Posso garantir às famílias que os mesmos estão hospitalizados e em franca convalescença. No dia 4 os aviões voltaram à carga, mas só pegaram o meu carro.
Os Navaes que estavam no rancho foram “safos” e puseram-se a salvo, depois de haverem afugentado o inimigo.
Meu irmão, Cabo Virgílio Erbisti, que teve papel saliente na Revolução de 24, caiu prisioneiro dos ditatoriais, quando fazia um reconhecimento.
Sábado último, um contingente do Naval, do 6º R.I. e parte da Legião Negra desbarataram numa arrancada soberba o 19º B.C. da Bahia, tomando três metralhadoras pesadas, algumas leves e vários F.M., além de grande número de prisioneiros e farta cópia (?) de material bélico.
Estive em todos os setores dos Navaes, e todos firmes nos seus postos.”


O Voluntário de Piracicaba, Joaquim Norberto Junior escreveu de Silveiras, a seu pai: “O dia da vitória cedo ou tarde há de chegar, e, então, voltaremos todos para abraçar os nossos queridos pais e irmãos.
Li nos jornais a morte do nosso amigo Natal; pobre Chinim; pagou com a vida o seu amor por São Paulo! Estamos aqui para vencer ou morrer; uns morrerão mas outros vencerão, porque São Paulo nunca há de ser vencido. Tenho fé em Deus de que a bandeira paulista que trago comigo, há de tremular pela Avenida, na ponta do meu fuzil.
Continuo no 6ºR.I., mas o meu endereço é o mesmo.
Aqui onde estou está calmo; as vezes um matracar de metralhadoras. As “mechas” dos aviões e da artilharia, quando arrebentam, não nos atingem. Até parece que o famoso artilheiro João Alberto abandonou a retranca dos 75 e 105”.





Fonte – arquivo da família Toledo.


Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo

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