Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

NOTÍCIAS SOBRE A REVOLUÇÃO DE 1932 NA ZONA MOGYANA.



O texto a seguir é uma transcrição de notícia publicada em 27 de setembro de 1932, no Jornal Folha da Manhã. Mantive a grafia, usada na época, no nome das cidades.


OS ÚLTIMOS COMBATES NA ZONA MOGYANA.

– A situação das tropas constitucionalistas no Setor Jaguary -
– A ação das nossas bombardas -
- Pinhal e Mogy- Mirim ameaçadas pelas forças da lei -



“Zona da Mogyana, 26 (Do nosso enviado especial). – Os ditatoriais estão lançando mão dos últimos recursos para forçar a linha dos redutos Constitucionalistas no Setor Jaguary, desenvolvendo nesta região, há uns três dias uma certa atividade militar. A concentração das operações na linha Jaguary – Amparo assume cada vez mais um caráter decisivo. O inimigo chegou a desenvolver, ontem, alguma pressão sobre os nossos entrincheirados, não tendo conseguido resultado algum apreciável. As posições da Lei mantêm-se firmes e o caminho para Campinas se acha barrado para o adversário. A convergência das nossas forças para esse setor e a absoluta segurança das posições constitucionalistas nos demais Setores da Mogyana são duas sólidas garantias do sucesso das nossas armas em toda região invadida pelos ditatoriais e notadamente na Zona de Amparo.
Os importantes reforços recebidos pelas nossas tropas e o aparelhamento bélico de que dispomos tornam impossível qualquer avanço decisivo do adversário com o objetivo máximo da sua preocupação militar: apoderar-se do mais importante centro ferroviário do interior do Estado, que é, sem dúvida alguma, a cidade de Campinas.
 A zona de operações no Setor de Jaguary, principalmente nos seus limites com os municípios de Campinas e Itatiba, apresenta-se cheia de acidentes naturais de terreno tais como: trechos serranos, rios, etc. O comando geral das nossas forças soube aproveitar este aspecto peculiar da região para a organização de uma defesa militar inteligentemente distribuída e firme em toda linha.
Ocupamos ali importantes posições, de modo a podermos desorientar o inimigo pouco familiarizado com as surpresas topográficas da Zona. E, portanto, pouquíssimo provável que os ditatoriais tentem qualquer extremo esforço para progredir nessa região, onde o nosso domínio está consolidado.
A situação geral nos outros setores da Mogyana é ótima para as nossas forças. Estamos livres ali de qualquer dispersão prejudicial de tropas, o mesmo não sucedendo ao inimigo, cujos redutos não resistirão por muito tempo a qualquer movimento da nossa parte.”



- A AÇÃO DAS NOSSAS BOMBARDAS NO SETOR JAGUARY -

“Inegavelmente, como arma de guerra, as nossas bombardas têm prestado relevantes serviços à causa constitucionalista em diversos setores de combate.
Numa luta travada no setor marginal do Rio Jaguary, a Companhia de Bombardas da Guarda Civil desempenhou um brilhante papel.
Os ditatoriais foram vigorosamente bombardeados e repelidos, sofrendo inúmeras baixas e abandonando as suas desmanteladas trincheiras.
O Cel. Herculano de Carvalho e Silva, Comandante Geral da Força Pública do Estado, teve oportunidade de elogiar pessoalmente os bravos Soldados Constitucionalistas da Guarda Civil, pela bravura com que sabem manejar as terríveis bombardas”.




- CONCENTRAÇÃO DOS DITATORIAIS EM PEDREIRA -

A Zona de Amparo parece não oferecer mais segurança para o inimigo que se sente ameaçado pela progressiva pressão das nossas forças. Ao que consta, os ditatoriais resolveram lançar mão da última resistência: concentrar as suas forças na Zona de Pedreira.
Nessas condições, o abandono de Amparo pelo inimigo se afigura inevitável”.




- PINHAL AMEAÇADA PELAS NOSSAS TROPAS -

“Tem sério fundamento as apreensões do Gen.  Getulista Jorge Pinheiro que confessou ao Gen. Góis Monteiro estar a retaguarda das suas tropas ameaçadas pelas forças constitucionalistas.
As nossas forças tomaram o último reduto ditatorial de Ingatuba, repelindo simultaneamente um forte ataque inimigo na região de Pedreira, fazendo vários prisioneiros e apreendendo abundante material de guerra.
Na região de São João da Boa Vista o adversário perdeu o Pico do Gavião.
Os ditatoriais que ocupam Pinhal estão seriamente ameaçados”.




- O CERCO DE MOGY-MIRIM PELAS NOSSAS FORÇAS -

“A contra ofensiva constitucionalista redobrou a sua atividade no Setor Mogy-Mirim, cuja a retomada é inevitável.
Sexta-feira última, as nossas patrulhas fizeram um reconhecimento nas vizinhanças daquela cidade.
Parece que o inimigo assediado pelas nossas forças estão dispostos a abandonar definitivamente Mogy-Mirim, desorientado como se acha pelo desenvolvimento da ação envolvente das tropas da Lei”.





 Bombarda, pequena explicação.


A Bombarda era um primitivo disparador de projéteis pesados que surgiu no século XIV (logo após a descoberta da pólvora pelos europeus), com bico pouco comprido, e que não passava de uma chapa de aço forjada em forma de tubo e reforçada com cintas metálicas.
Pode-se dizer que a bombarda foi o precursor do canhão e do morteiro. Utilizava projéteis de pedra ou metal, no entanto para grandes calibres utilizavam-se os de pedra pois eram mais leves e mais baratos. A bombarda mais tarde deu origem ao morteiro, quando ganhou maior força e passou a atirar explosivos.





O lançador estilhaçado que vitimou nossos heróis, o Coronel MARCONDES SALGADO e o criador do pequeno canhão, Capitão MARCELLINO, encontra-se hoje no acervo do Museu Paulista.




Companhia de Bombardas  da Legião Negra.

Aparentemente, é um morteiro 80 mm, o mesmo que vitimou o Gen. Marcondes Salgado durante seus testes que ficou apelidado de "BOMBARDA", sendo transportado para a linha de frente de Cerrado. Ele se encontra com a proteção de lona na boca do cano e o bipé aparentemente está ao lado preso por correias.






Mesmo sabendo-se que os jornais paulistas, em seus noticiários, davam um destaque especial aos acontecimentos, os relatos são de grande importância para o levantamento histórico da participação ativa de regiões que não possuem um acervo de documentos preservado.


“O corpo de uma cidade é o seu povo. E a alma é a sua história. Esta se não for preservada, respeitada, divulgada, povo e cidade perdem a sua identidade.”
(Luciano Dias Pires)



Fonte.

 acervo.folha.com.br
policiamilitardesaopaulo.blogspot.com.br
revolucaoconstitucionalista1932.blogspot.com.br
pt.wikipedia.org




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.







quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A BATALHA DA MOGIANA



Em 1932, os jornais paulistas publicavam as notícias sobre os acontecimentos da Revolução Constitucionalista, sempre exaltando os feitos dos Soldados Constitucionalistas o que também era uma maneira de elevar o moral dos soldados nas trincheiras e frentes de combates.

“[...] Enquanto nas linhas de frente as nossas tropas, fiéis ao solene juramento feito, se batem com denodo pela redenção do Brasil, na retaguarda formam-se novos exércitos e assegura-se, sem perturbações do trabalho fecundo dos dias de paz, a ação valorosa dos nossos valorosos guerreiro. [...]”

(Trecho do artigo: “A irresistível expansão do movimento constitucionalista”, 15/09/1932).



O artigo a seguir foi publicado no Jornal Folha da Manhã, no dia 15 de setembro de 1932. Nele mostra um pouco do heroísmo, da coragem, do amor à Pátria e da bravura com que lutaram os Soldado Constitucionalistas no interior do Estado de São Paulo.


“A Batalha da Mogyana”


“É preciso confessar a nós mesmos a nossa surpresa ante o poder militar que estamos revelando na frente da Mogyana, resistindo primeiro à tremenda ofensiva ditatorial e logo em seguida contra-atacando com um ímpeto que vai arrojando o inimigo em debandada para além das fronteiras de Minas. Lançadas na direção do Rio de Janeiro as nossas principais forças, tivemos durante o mês de julho que improvisar o exército do Sul, com que barramos o caminho à coluna Waldomiro Castilho, cuja marcha sobre Sorocaba os microfones cariocas anunciavam com grande segurança.
Tivemos depois que guarnecer as nossas divisas em todos os quadrantes, concentrando efetivos de vulto em dezenas de pontos estratégicos do interior do Estado. E, isso feito, vivemos longas semanas com os olhos voltados para a zona Mogyana, a interrogar o horizonte, perguntando-lhe o que nos viria daquelas bandas... E, mais, o que faríamos se um assalto nos fosse desfechado sobre Itapira e São José do Rio Pardo...
Afinal, definiu-se a situação. Traído o pacto de não agressão, atirou-se contra as nossas cidades um poderoso exército que tranquilamente se concentrara ao abrigo da pérfida neutralidade ditatorial vizinha. E esse poderoso exército veio de roldão, numa frente de mais de cento e cinquenta (150) quilômetros, parecendo irresistível no seu rolar de avalanche.
Entretanto, em rápidos dias reunimos elementos, detivemos a avançada inimiga e, sem lhe dar tempo para consolidar suas posições, contra atacamos de Mococa a Amparo. E o inimigo se retira abatido, ante o choque que não esperava tão violento e decisivo, abandonando cidades após cidades, sob o travo da derrota.
Foi um milagre. Milagre de eficiência militar, de rapidez nos transportes, de organização e bravura. Milagre que os futuros críticos e historiadores da campanha comentarão com admiração, citando a Batalha da Mogyana como um dos feitos bélicos mais notáveis e mais belos da história guerreira da América do Sul.
E que estarão pensando, a respeito, os chefes adversários, ao se reunirem para trocar impressões? Ah! Se pudéssemos ouvi-los, dizendo uns aos outros a surpresa e o espanto de que estão possuídos em face da fulminea mobilização de um grande exército, que levaram dois meses para se organizar, com a missão de decidir a guerra no interior de São Paulo...
Estamos no meio das árvores e por isso não vemos a floresta. No futuro, porém, sabemos que, influencia teve, no curso da história nacional, a Batalha da Mogyana, que ganhamos quando tudo indicava que ali nos defrontávamos com o momento crítico da campanha constitucionalista.
Não é ainda Waterloo, mas os napoleões da ditadura tiveram ali a sua retirada de Moscou...”






Mapa da Zona da Mogiana.
A Estação de Jaguariúna é a primeira, com grifo, do lado esquerdo na foto.







Soldados Constitucionalistas, da artilharia, em combate na Zona Mogiana, nas proximidades de Campinas.




Fonte de consulta – acervo.folha.com.br, acesso em 15 de ag. de 2015.




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo