Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ARAPONGA, MG NA REVOLUÇÃO DE 1932.




O Município de Araponga está localizado na Zona da Mata do Estado de Minas Gerais e foi palco de batalha na Revolução Constitucionalista de 1932.


“O Canto da Araponga”.


          “O canto da Araponga” é um documentário que foi realizado em Minas Gerais sobre um aspecto curioso e pouco conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932: a importante participação da cidade mineira de Araponga, onde foi preso o líder do movimento no estado, o ex-presidente Artur Bernardes.
Através do olhar de seus habitantes, de pessoas que viveram e sofreram e até se divertiram naquele período, o documentário faz uma releitura da história, de forma a registrar o que não foi dito e reescrever mais uma página do eterno livro de injustiças políticas praticadas através dos tempos.
 Localizado na Zona da Mata mineira, e, na época, vinculado administrativamente a Viçosa, o pequeno povoado de Araponga foi escolhido por Bernardes para ser o seu Quartel General, de onde sairiam as tropas, em apoio a São Paulo, para atacar a capital federal, o Rio de Janeiro, e depor o presidente Getúlio Vargas.
Neste documentário há vários depoimentos de pessoas que em 1932 viviam em Araponga e região, o grupo de depoentes participaram ativamente na preparação do batalhão bernardista aliado de São Paulo.
 Homens e mulheres passaram meses trabalhando e organizando o batalhão que seria a resistência naquela região. Mulheres prepararam as fardas, as mochilas, botas e outros apetrechos que seriam usados pelos combatentes e os homens abriram trincheiras e prepararam o barracão onde se instalou o quartel general e que servia também como refeitório para aqueles que desenvolviam os trabalhos de organização.
Dentre muitos depoimentos destaco um relato interessante sobre a coragem de um homem que se juntou ao batalhão, o valente João pega cobra, que sempre dizia já ter vencido uma revolução e que também venceria está. Durante a batalha João, que estava entrincheirado no alto do morro, de tanto atirar esquentou o cano de sua carabina e esta emperrou, nesta condição, sem poder mais atirar pegou a carabina pelo cano, elevou-a ao alto e desceu o morro correndo, de peito aberto, e gritando:
- “Cachorrada do governo” por aqui não passa!
 E a dois passos do pelotão das forças do governo, recebeu uma rajada de balas no peito, morrendo ali no local.
A batalha em Araponga se deu em 15 de setembro de 1932. Todos que participaram deste episódio foram presos e levados para o Rio de Janeiro onde permaneceram em cárcere até o final da Revolução.

Sr. Reny Balut, um dos depoentes de Araponga, encerra o documentário com as seguintes palavras:

“Cabe-nos proceder esta grande tarefa de buscar na memória desses heróis o mesmo amor que eles ofereceram à causa pela qual deram até a última demonstração de devotamento e devemos firmemente deliberar que eles não morreram em vão e esta Nação, sob a inspiração a Deus há de renascer mais viva para a liberdade. E que o governo do povo pelo povo e para o povo jamais perecerá sobre a face da terra.”


No link a seguir um pequeno trecho do documentário, o único disponível para o público.

http://youtu.be/tJEM9qzEORo



Direção: Carlos Canela              Tipo: Documentário
Formato: Vídeo (DV)Ano Produção:2004Origem:Brasil (MG)Cor / PB
Duração:55 min.
Assistência de Direção: Suzana Markus
Roteiro: Daniel Roscoe
Fotografia: Luís Abramo
Produção Executiva: Jorge Moreno
Co-produção:  Daniel Roscoe Santos Portugal/ FAM Produções Ltda / Rede Minas / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Produtora: FAM Filmes
Contato: Daniel Roscoe - Belo Horizonte–MG 
 daniel@famfilmes.com.brhttp://www.famfilmes.com.br



 Fui presenteada com um DVD que contém um documentário sobre a Batalha de Araponga que ocorreu durante a Revolução de 1932. Presente da jovem Melissa Fantuzzi Gomes, que é mineira e teve acesso ao documentário através de sua avó, Sra. Alzira Lima Ramos Fantuzzi, que nasceu em Araponga e que havia recebido o vídeo de seu amigo Sr. Silval Lima. Entre as pessoas que prestaram depoimentos no documentário estão vários amigos, conhecidos e primos da Sra. Alzira e de seu esposo Sr. Dante Fantuzzi.




Localização de Araponga na Zona da Mata.



Municípios que compõem a Zona da Mata, MG.




Mapa antigo da região de Viçosa, MG





ARTUR BERNARDES  




Artur Bernardes nasceu em Viçosa, Minas Gerais, no dia 8 de agosto de 1875.  Começou a trabalhar aos 14 anos. Foi comerciante e guarda livros antes de se mudar para Ouro Preto, onde concluiu o curso secundário. Matriculou-se na Faculdade Livre de Direito em 1896, e transferiu-se para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco três anos depois, tendo se formado advogado em dezembro de 1900.
Em São Paulo trabalhou como revisor do jornal Correio Paulistano e como professor de latim e português. Casou-se com Clélia Vaz de Melo no dia 15 de julho de 1903, com quem teve oito filhos. Retornou para Viçosa, onde praticava advocacia e ingressou na política, tendo sido eleito vereador em 1906. Foi duas vezes deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1909 – 1910 e 1915 – 19017). Foi Presidente do estado de Minas Gerais entre 1918 e 1922, sendo lembrado pela construção da Escola Superior de Agricultura e Veterinária de Viçosa, que posteriormente viria a se tornar a Universidade Federal de Viçosa.
Em 1922, Artur Bernardes foi lançando como candidato mineiro à Presidência da República e venceu com 56% dos votos. Em um governo conturbado deixa a presidência em 1926.
Faleceu em 23 de março de 1955 em sua residência no bairro da Tijuca, RJ.



BERNARDES E A BATALHA EM ARAPONGA.

Quando em 1932, a Revolução Constitucionalista foi lançada em 9 de julho em São Paulo, Artur
Bernardes ainda tentou convencer os políticos mineiros da necessidade de lutar contra o governo federal ao lado dos paulistas. Aqui se mostrou importantíssima a decisão do governo federal de consolidar o apoio de Minas Gerais com a decisão de não decretar a intervenção federal no estado. O governo estadual, bastante envolvido com a política do Catete, vetou todas as iniciativas conspiratórias de Bernardes.
Diante da negativa, tinha ele duas alternativas: ou resignava-se apoiando Getúlio, como havia decidido Minas Gerais; ou rebelava-se contra o governo de seu estado para se aliar aos revolucionários paulista. Se havia uma pequena chance de retorno ao poder pelo PRM, ela se encontrava do lado de São Paulo, que lutava em nome do Partido Republicano. Assim, declarou Bernardes, que havia se aderido à causa paulista, pois, segundo ele, “para São Paulo se transferira a alma cívica do Brasil”.
Sem espaço em Belo Horizonte, seu papel foi a organização de uma frente revolucionária na Zona da Mata mineira, cuja sede seria sua cidade natal, Viçosa. Esta região era muito conhecida por seu caráter bernardista e, se havia algum lugar do estado onde a população poderia se engajar ao lado dos paulistas, esse lugar seria inevitavelmente a região de Viçosa.
 A maior parte da Força Pública de Minas Gerais estava estacionada no sul do estado em combates contra a Força Pública de São Paulo. Porém, o governo estadual não podia deixar a resistência bernardista de fora e decidiu enviar a Ponte Nova alguns batalhões, que deveriam impedir uma eventual tentativa tomada da capital mineira.
Enquanto isso, outros batalhões da polícia mineira atacavam Viçosa pelo sul, vindos de Muriaé. Artur Bernardes havia se tornado um inimigo de Minas Gerais, que deveria ser combatido firmemente.
 Com Viçosa sitiada e sob fogo cruzado, Artur Bernardes, temendo por sua vida, resolve deixar a cidade. Qual caminho seguir? A via norte estava bloqueada pela Força Pública em Ponte Nova. Pelo sul vinha o ataque dos policiais de Muriaé. No oeste ficavam cidades importantes como Ouro Preto e Belo Horizonte. A melhor alternativa era enfurnar-se na Mantiqueira e se esconder em Araponga, distrito de Viçosa, localizada a 50 km de distância no sentido leste.
Com a tomada de Viçosa, descobriu-se que Artur Bernardes havia fugido para Araponga, onde, segundo os boatos, a última resistência bernardista estaria formada com o que havia de mais avançado em tecnologia de guerra. De fato, naquele distrito de Viçosa, fazia meses que a população local vinha sendo requisitada para a formação de batalhões constitucionalistas. Era verdade que houve compra de armamento, fardas, construção de trincheiras, posicionamento de sentinelas etc. Preparavam-se para a guerra contra as forças do governo.
Ao saber da fuga de Bernardes, Minas Gerais passa a organizar sua captura em Araponga. Para tanto, resolveu-se mobilizar parte da Força Pública estacionada em Ponte Nova em direção de Abre Campo, cidade mais bem localizada, de onde partiria o ataque definitivo ao último reduto constitucionalista em Minas.
Embora Abre Campo e Viçosa fizessem divisa uma com a outra, aquela cidade não aderira ao furor bernardista, mantendo-se do lado dos ditatoriais. Era de fato conhecido o getulismo de Abre Campo, onde inclusive fora formada uma Legião de Outubro. Em virtude disso, Olegário Maciel entrou em contato com as lideranças locais para organizar o ataque a Araponga. Dessas trocas de informações, decidiu-se que haveria a colaboração de forças paramilitares das lideranças locais, fiéis ao Governo. Dentre essas, destacava-se o grupo de Pedro Victor de Oliveira, chefe político getulista de Pedra Bonita, distrito de Abre Campo.
Uma vez acertado que o ataque a Araponga seria feito por membros da Força Pública de Minas Gerais, que estavam em Ponte Nova, e pela força paramilitar de Pedro Victor, que estava em Pedra Bonita de Abre Campo, decidiu-se que sua reunião ocorreria no meio do caminho, onde seria então erguido um quartel. O ponto geográfico escolhido para o aquartelamento foi Itaporanga (hoje, Sericita), distrito de Abre Campo, a partir do qual um ataque surpresa deveria ser preparado. Para tanto, as lideranças políticas getulistas de Itaporanga de Abre Campo foram contatadas para fornecer seu apoio.
Naquele distrito, um quartel foi de fato montado, onde os policiais de Minas Gerais e os homens de Pedro Victor puderam se reunir em preparação para a captura de Artur Bernardes em Araponga.
Em 15 de setembro de 1932, partiram de Itaporanga homens do batalhão formado com o único objetivo de acabar com o último reduto constitucionalistas no estado e capturar seu maior líder, o ex-presidente Artur Bernardes.
Nesta data aconteceu a Batalha de Araponga. A última resistência bernardista não era mais do que a coragem e o civismo de uma pequena comunidade.
Artur Bernardes foi, então, preso e exilado pelo governo de Getúlio Vargas. Em 1934, com a concessão da anistia Artur Bernardes regressou ao Brasil para participar da Assembléia Constituinte de 1934. Com o golpe do Estado Novo, foi cassado e afastado da vida politica.



Agradecimento.

Agradeço à amiga, Srta. Melissa Fantuzzi Gomes, psicóloga, nascida em Viçosa, MG e à Sra. Alzira Lima Ramos Fantuzzi, que atualmente reside em Viçosa, pela valorosa colaboração feita ao blog do Núcleo de Correspondência Trincheiras Paulistas de 32  de Jaguariúna.



Fonte.

DVD - O Canto da Araponga,produtora FAM Filmes. Produção Jorge Moreno, co-produção - Daniel Roscoe Santos Portugal/ FAM Produções Ltda/Rede Minas/ Fundação Padre Anchieta - TV Cultura, 2004.


http://acervo.estadao.com.br/noticias/personalidades,artur-bernardes,503,0.htm acesso em 17 de fev. de 2014.


Imagens.

Disponível em araponga.mg.gov.br, acesso em 16 de fev. de 2014.
Disponível em www.ivt-rj.net, acesso em 16 de fev. de 2014.
Disponível em pt.wikipedia.org, acesso em 16 de fev. de 2014.



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.



sábado, 1 de fevereiro de 2014

MISTÉRIO DOS SOLDADOS SEPULTADOS EM SANTO ANTÔNIO DE POSSE



Santo Antônio de Posse.

Santo Antônio de Posse está localizada a 15 km de Jaguariúna, possui uma população, aproximada de 22000 habitantes, foi fundada em 13 de junho de 1850 e faz parte da Região Metropolitana de Campinas.


Breve Histórico sobre Santo Antônio de Posse.

 Em 1725, foi construída a estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás por Luís Pedroso de Barros. Assim se deu o início do bairro Posse de Ressaca e, posteriormente Santo Antônio de Posse. Aos poucos surgem, às margens da Estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás - por volta de 1833, pequenos pontos de parada. Nesta estrada transitavam muitos proprietários de fazendas de café com destino às Minas de Goiás, em busca de um futuro melhor e paravam para descanso no “bairro” que, aos poucos, ia se formando em torno da estrada.
                     O maior desenvolvimento dessa região se deu com o florescimento do café. Os donos das terras, que eram políticos influentes na Província, determinaram a construção de uma estrada de ferro que ligasse Campinas a Mogi-Mirim, construtora de propriedade da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (CMEF). E, em 27/08/1875, cria-se o marco da “Estação da Ressaca”.
Não há uma confirmação precisa, mas tudo leva a acreditar que o nome POSSE é devido ao “Sítio da Posse”, como consta no Cartório de Registros de Imóveis de Mogi Mirim onde, entre 1878 e 1889, foram lavradas escrituras de compra e venda de terras. No início, esse sítio talvez tenha sido de diversos proprietários e, aos poucos, foi sendo dividido. Acredita-se que ele tenha sido fundamental para o nome POSSE. Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”.
Com o florescimento do café na região de Mogi Mirim e Campinas houve a necessidade de se construir uma estação de Ferro – Estação Ferroviária – para o escoamento do café até os portos.
Em 27/08/1875 criou-se a Estação de Ferro. Todo o café da região era trazido para esta estação e, nela, REENSACADO para depois ser transportado pelo trem de ferro para os portos.
Esta Estação de Ferro foi construída no bairro que deu origem à cidade, que recebe o nome RESSACA - vindo exatamente a ser denominado assim pelo processo de REENSACAMENTO do café. Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”.
                   Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de Posse de Ressaca, pela Lei Estadual N° 79, de 16/8/1893, passando a pertencer ao Município e Comarca de Moji Mirim (hoje Mogi Mirim). Até a data, o povoado pertencia ao Distrito Policial de Ressaca, pequena estação à beira da Estrada de Ferro Mogiana, com meia dúzia de casas habitadas por negociantes.
 A primeira eleição aconteceu no dia 10/05/1904, na casa do Coronel David Batista da Silva Parez, tendo sido eleitores: 1° - Juiz de Paz Augusto Elias de Toledo Lima, 2° - Manoel Andrade Cotrim e 3° - José Ivo de Souza Pinto. Em 17/06/1895 foi nomeado pela Câmara o primeiro zelador do cemitério e dos lampiões de Posse, Paulo José Marques. Em 25/02/1869 foi criado o cargo de fiscal de Posse. Durante um longo período da história de Santo Antônio de Posse o Capitão Pedro Antônio de Morais, estimado lavrador, administrou importantes fazendas em Ressaca e, como subprefeito, prestou ao distrito bons serviços públicos ligando seu nome ao progresso da localidade.

A História dos 3 Soldados.

Está é uma história que foi passada por pais e avós para filhos, parentes e amigos, pessoas que viviam na região no ano de 1932.
Contam as pessoas residentes nesta região que no ano de 1932 durante a Revolução Constitucionalista na via de ligação entre Jaguariúna e Santo Antônio de Posse (JGR 010 – Estrada da Varginha), durante um combate três soldados foram mortos, não se sabendo ao certo em que circunstância, e que ali mesmo, na beira da estrada foram sepultados.
Após o final da Revolução de 1932 (não tenho registro da data) os corpos dos Soldados foram exumados e transportados para uma sepultura no Cemitério Municipal da cidade de Santo Antônio de Posse e ali repousam sem identidade mas muito reverenciados, como poderão notar nas imagens a seguir.
Muitas pessoas visitam a sepultura dos três Soldados pois acreditam que realizam “milagres”, pois há testemunhos de pessoas que alcançaram alguma graça.





Alameda de acesso ao cemitério.



Placa na coluna do Monumento na alameda de entrada.




Cemitério Municipal de Santo Antônio de Posse.




Entrada principal do Cemitério.






A sepultura dos Três Soldados encontra-se entre a quadra L e DD 

ao lado do jazigo de número 87.






Nota-se na frente da sepultura um nicho apropriado para acender velas.



Uma cruz esculpida em cimento com este epitáfio: 
"OS CORPOS ENCONTRADOS NA ESTRADA DA VARGINHA ERAM
 OS TRÊS SOLDADOS DA REVOLUÇÃO DE 1932".







O Capacete serve para identificar a sepultura dos Soldados.







Nesta fotografia nota-se a grande quantidade de flores trazidas 
pelas pessoa que visitam a sepultura.












Fonte.

 “História Local – História de Santo Antônio de Posse”, de Ezequiel Nascimento da Silva, (Faculdade de Educação, São Luiz, Núcleo de Apoio – Poços de Caldas – Jaboticabal – 2006). disponível em www.pmsaposse.sp.gov.br
pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Antonio_de_Posse.
 Fotografias de Maria Helena de Toledo Silveira Melo e Maíra Toledo Silveira Melo.

 Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo