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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O VALOROSO PAPEL DO NEGRO NA REVOLUÇÃO DE 1932.


O texto a seguir foi publicado no Jornal “A Gazeta”, de São Paulo, em 23 de setembro de 1932.

 “Os homens de cor e a causa sagrada do Brasil”

“Os patriotas pretos estão se arregimentando – Já seguiram vários batalhões – O entusiasmo na Chácara Carvalho – Exercícios dia e noite – As mulheres de cor dedicam-se à grande causa. Também os negros de todos os Estados, que vivem em São Paulo, quando o clarim vibrou chamando para a defesa da causa sagrada os brasileiros dignos, formaram logo na linha de frente das tropas constitucionalistas. A epopéia gloriosa de Henrique Dias vai ser revivida na luta contra a ditadura. Patriotas, fortes e confiantes na grandeza do ideal por que se batem São Paulo e Mato Grosso, os negros, sob a direção do Dr. Joaquim Guaraná Sant’Anna, tenente Arlindo, do Corpo de Bombeiro, tenente Ivo e outros, uniram-se, formando batalhões que, adestrados no manejo das armas e na disciplina vão levar, nas trincheiras extremas, desprendidos e leais, a sua bravura, conscientes de que se batem pela grandeza do Brasil que seus irmãos de raça, Rebouças, Patrocínio, Gama e outros muitos tanto dignificaram. Os nossos irmãos de cor, cujos ancestrais ajudaram a formar este Brasil grandioso, entrelaçando, os pavilhões auri-verde e Paulista, garbosos, ao som dos hinos e marchas militares, seguem cheios de fé, ao nosso lado, ao lado de todos os brasileiros que levantaram alto a bandeira do ideal da constitucionalização, para a cruzada cívica, sagrada, da união de todos os Estados sob o lábaro sacrossanto da pátria estremecida.”



 Batalhão da Legião Negra                                                                                        fig.1

Os negros participaram ativamente da Revolução Constitucionalista, formando batalhões específicos batizados de “Legião Negra”. Esses legionários eram conhecidos no imaginário popular como “Perolas Negras”. Eis alguns dos batalhões que se formaram e lutaram com bravura: 3ª Cia do Batalhão “Conselheiro Rebouças” pertencente à Legião Negra, Grupo de Bombardas Pesadas da Legião Negra, Batalhão “Henrique Dias”, 2ª Cia. do Batalhão “Vidal de Negreiros” e 2º Batalhão “Felipe Camarão”, da Legião Negra.

Os soldados da Legião Negra diferenciavam-se dos demais constitucionalistas por usarem um chapéu das abas largas com o uniforme.

Não só os homens negros mas também as mulheres negras tiveram grande e importante participação, pois tanto na retaguarda como nas frentes de batalhas, muitas acompanhavam seus maridos e algumas partiam sozinhas como é o caso mais conhecido de Maria Soldado.

Os “Pérolas Negras” eram motivo de muito orgulho para seus familiares.

A Legião Negra tinha uma constante preocupação em atender as famílias dos soldados negros carentes, bem como os órfãos, inválidos e viúvas da guerra. Esse trabalho era realizado juntamente com as entidades do movimento negro, que já existia desde o fim da escravidão (no início da década de 1930 o negro paulista já possuía uma certa organização coletiva).

Em Campinas, a entidade negra “Associação Beneficente São Benedito” ofereceu seu hospital às tropas constitucionalistas.

No transcorrer da guerra, o patriotismo e a bravura demonstrada pelos soldados da Legião Negra, chamaram a atenção da imprensa que os descreviam como “guerreiros impávidos”.
Em uma entrevista ao jornal “A Gazeta”, o Capitão Gastão Goulart, disse:
               “Os homens de cor são dos melhores guerreiros do nosso país. Ninguém imaginava a sua valentia, a sua capacidade de resistência nas trincheiras [...] é exemplar o comportamento em quartel, dos soldados da Legião Negra [...] amigos da disciplina, em combate se portam como heróis, pelejando pelo ideal da sua raça que é, ao mesmo tempo, o ideal do seu país.”
A História da Revolução Constitucionalista de 1932 não pode jamais esquecer a importância da participação dos negros e negras neste importante episódio da História do Brasil.
Jaguariúna teve também seu herói da Revolução Constitucionalista, Nabor de Moraes, negro, voluntário no Batalhão conhecido como “Dois de Ouro” pela bravura de seus soldados e denodo de seus comandantes, Nabor foi ferido por estilhaços de granada, em combate no Setor do Túnel, falecendo em 31 de agosto, estando sepultado no Mausoléu de Campinas.

Como na História, as Cidades não podem esquecer seus Heróis.



 
Nabor de Moraes                                    fig.2
               






                    Poema Legião Negra, São Paulo, 1932.
                     Autor desconhecido

Nós atendemos ao seu chamado, São Paulo!

Era natural que assim fosse, pois...

Não está também a nossa cor nas listas da tua bandeira?

Lutamos onde mais acesa era a batalha.

Ombro a ombro com nossos irmãos de crença

na grandeza do Brasil e na dignidade do Homem

que a ditadura vilipendiava.

Como todos os combatentes, oferecemos

nosso sangue por “vin d’honeur”.

E desde o princípio secundamos o teu grito de Justiça,

deixando em nossas casas quem ainda trazia as marcas dos grilhões.

Nós que conhecemos na pele o significado da Liberdade.

Sem espanto, recebeste o nosso holocausto no altar da Honra

E as tuas bênçãos nos impeliram ao resgate da Mãe Pátria.

Não te esqueças de nós, São Paulo.

Afinal... não está também a nossa cor nas listras da tua Bandeira?







 Referência:
DOMINGUES, P, J, Os "Pérolas Negras": A Participação do Negro na Revolução Constitucionalista de 1932. In. Revista Afro- Asia, 29/30, 2003. Disponível em www.afroasia.rifba.br/pdf/afroasia_n29-30_p199.pdf, acesso em 5 de out. de 2013.
Fig. 1- Disponível em bloghistoriacritica.blogspot.com acesso em 18 de. nov. de 2013.
Fig. 2- Disponível em blogs.viaeptv.com.promemoriacampinas.jpg acesso em 10 de outubro de 2013.



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