Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A BANDEIRA PAULISTA

 
 
 
 
                                                                     Fig. 1
 
"A Bandeira Paulista" obra de Paulo Vergueiro Lopes de Leão.
 
 
 
 
 A bandeira adotada pelo Estado de São Paulo foi idealizada inicialmente para ser a bandeira do Brasil.
Seu autor, Júlio Ribeiro, escritor e também numismata, tinha a intenção de que sua bandeira passasse a ser a Bandeira do Brasil.
A divulgação do modelo proposto por Júlio Ribeiro foi feita, a primeira vez, em um artigo publicado no jornal “O REBATE”, de sua fundação e orientação. Isto ocorreu em 16 de julho de 1888, portanto poucos dias após a abolição da escravatura.
Eis um trecho de como Júlio Ribeiro justificou essa bandeira que pretendia fosse a da Republica nascente, segundo informações do jornal citado acima:
 
"Esta bandeira preenche tudo o que se possa desejar:
1º) Agrada à vista pela oposição harmónica das cores preta e branca.  O preto é absorção completa da luz; o branco é o resultado da composição das sete cores do espectro.  Com qualquer destas duas cores, esteticamente vai bem o vermelho.
2º) Tem todas as condições físicas de durabilidade.  Veja-se uma bandeira alemã, bandeira que tem as mesmas cores, após anos de serviço ao céu aberto, está quase como no primeiro dia.
3º) Tem legitimidade heráldica: o preto (sinoble), o branco (prata), o vermelho (goles), são cores nobilíssimas, reconhecidas pelos reis de armas de todos os países.
4º) Ainda não tem tradições: a nós cumprir e criá-las, honrosas, invejáveis; a nós incumbe ganhar-lhe o respeito de que se deve ela rodear.
5º) Simboliza de modo perfeito a gênese do povo brasileiro, as três raças de que ele se compõe - branca, preta e vermelha.  As quatro estrelas a rodear um globo, em que se vê o perfil geográfico do país, representam o Cruzeiro do Sul, a constelação indicadora da nossa latitude austral.
Assim, pois, erga-se firme, palpite glorioso o Alvinegro Pendão do Cruzeiro!!!"
 Essa bandeira chegou a ser hasteada no Palácio do Governo Provincial de São Paulo, no dia da Proclamação da República e alguns poucos dias mais. Mas essa bandeira foi passageira como símbolo do novo regime, mesmo porque um dos primeiros decretos do Governo Provisório da Republica, sob o nº 4 de 19 de novembro de 1889, estabelecia que as cores da nova bandeira fossem verde e amarela, repetindo as cores da Bandeira Imperial.
Os paulistas levaram um tempo a determinar a escolha de uma bandeira que fosse seu símbolo.
 Em um artigo, em 1914, dizia Afonso A. de Freitas:
 “A bandeira ideada por Júlio Ribeiro e por ele proposta para substituir o pavilhão imperial é, com pequenas modificações exigidas pela adaptação regional, a atual do Estado de São Paulo, por todos os brasileiros conhecida e respeitada”.
 Não se sabe ao certo quando e como a bandeira foi de fato instituída como a Bandeira do Estado, pois desde os tempos da Republica ela foi sendo consagrada pelo uso sem que, no entanto, nenhum ato oficial viesse antes a declara-la como tal.
Numa fase pouco antes da Revolução Constitucionalista de 1932, durante e após esse período agitado, que a bandeira de Júlio Ribeiro tornou-se autêntico símbolo da terra e do povo paulista. Foi então que todos os paulistas passaram a considera-la como a sua bandeira, mesmo que até então nenhuma lei a tivesse declarado como tal. O apego ardente a essa bandeira nasceu de uma atitude espontânea de todos os paulistas
 Mesmo sem ter sido idealizada, primitivamente, para ser a bandeira de São Paulo, acabou, e bem servindo ao nosso Estado.
Contudo, a Lei 145, de setembro de 1948, não deu uma explicação extensa e bem heráldica da nossa bandeira.  Isso, aliás, já havia sido feito pelo decreto-lei anterior (o de 1946), o qual precedeu os seus dois únicos artigos de uma série de considerandos em que o último é uma interpretação, muito estruturada, da bandeira paulista. Ei-lo na íntegra:
 "a bandeira de São Paulo significa que "noite e dia" (campo burelado de preto e branco) o nosso povo está pronto a verter o seu sangue (cantão vermelho) em defesa do Brasil (círculo e silhueta geográfica) nos quatro pontos cardeais (estrelas de ouro)".
Foi essa, portanto, a interpretação dada aos elementos heráldicos integrantes da bandeira paulista. É a que devemos aceitar e divulgar.  E ela diz bem dos nossos sentimentos nacionalistas.
Quanto ao número de listas não se sabe exatamente qual o critério adotado, sabe-se apenas que em seu desenho inicial tinha 15 listas e em algum momento passou para 13 listas, talvez por uma questão de estética ou por inspiração em alguma outra bandeira.
 
 

                                                                                        Fig. 2
 
A bandeira com 15 listas.
 
 
                                                                                      Fig. 3
 
A bandeira com 13 listas.
 
 
                                                                                        Fig. 4
 
Bandeira usada durante a Revolução Constitucionalista.
 
 
                                                                                        Fig.5
 
A Bandeira do Governador do Estado. 
 
 
O texto foi baseado em informações do estudo feito por Hilton Federici.
 
 Trechos do Livro: Símbolos Paulistas (Estudo Histórico – Heráldico) do autor Hilton Federici
Referência: FEDERICI, Hilton. Símbolos Paulistas: estudo histórico-heráldico. São Paulo: Secretaria de Cultura, Comissão de Geografia e História, 1981.
Disponível em http//:www.bv.sp.gov.br acesso em 14 de out. de 2013.
 
Fig. 1 - Disponível em www.tiket.com
Fig. 2 - Disponível em inf.wikipedia.org
Fig.3, 4 e 5  - Disponível em www.vexilogia.com

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Levante do Interior: Chefes Revolucionários dos Municípios *



                                                                                                                Luiz A. S. Melo                     



Ao eclodir a Revolução, foram organizados levantes na Capital e no Interior do Estado de São Paulo. O levante na Capital seria imediatamente secundado por levantes nos municípios do interior, onde foram instalados governos revolucionários que obedeceriam à Capital. Os municípios foram organizados em Distritos. Cada Distrito e cada município tinha um ou mais chefes.

A matéria visa informar quais eram os Chefes dos Municípios, com o intuito de as gerações atuais conhecerem os nomes daqueles valorosos revolucionários que, há 81anos, se dispuseram a organizar o levante em cada cidade ou região do Estado de São Paulo.

Os municípios foram relacionados em ordem alfabética, cada um seguido pelo respectivo Distrito (D) e pelos seus Chefes. Contabilizaram-se 127 municípios e alguns dos relacionados podem ter hoje outro nome.


Municípios e seus Chefes.



Agudos (5ºD) – Alfredo Pina e Hugo Celidônio

Amparo (6ºD) – Dr. Plínio Amaral

Araçatuba (5ºD) – Joaquim Ferraz de Camargo

Araraquara (9ºD) – Drs. Edgard Batista Pereira e Plínio de Carvalho

Araras (8ºD) – Luiz Delamain

Areias (3ºD) – Coronel Manoel de Martins

Assis (5ºD) – (?) não consta

Atibaia (6ºD) – Major Sebastião Teodoro Pinto

Avaí (5ºD) – (?) organizações próprias

Avaré (5ºD) – Dr. Félix Fagundes

Bananal (3ºD) – Cel. Luís Augusto de Almeida e Hernani Graça

Bauru (5ºD) – Antônio Fraga e Eduardo Coutinho

Bernardino de Campos (5ºD) – Ismael Machado

Birigui (5ºD) – Antônio Goffi

Botucatu (5ºD) – Antônio de Moura Campos

Bragança (6ºD) – Major Benedito Rodrigues Moreira

Brotas (9ºD) – João Justiniano dos Santos

Caçapava (2ºD) – João Dias Ferreira

Cachoeira (3ºD) – Antônio Rodrigues da Mota

Cafelândia (5ºD) – Dr. Péricles Ferraz do Amaral

Campinas (6ºD) – Drs. Pires Neto, Fernão Pompeu e Francisco Mesquita

Cândido Mota (5ºD) – Otávio Pinto Ferraz

Capivari (4ºD) – Dr. André Assunção

Caraguatatuba (2ºD) – Dr. Leovigildo Trindade

Casa Branca (7ºD) – Francisco de Carvalho e ... Silos

Catanduva (10ºD) – Drs. Adalberto Neto e Odilon Nogueira

Cerqueira César (5ºD) – Avelino Pereira

Chavantes (5ºD) – Augusto Regala

Cruzeiro (2ºD) – Dr. Ananias Gomes da Silva

Cunha (2ºD) – Plínio Pereira Coelho

Descalvado (8ºD) – Dr. Glemnan Dias

Dois Córregos (9ºD) – João Justiniano dos Santos

Espírito Santo do Pinhal (7ºD) – Drs. Gentil Ribeiro de Oliveira Mota e Abelardo César

Espírito Santo do Turvo (5ºD) – Dr. Abelardo Guimarães

Fartura (5ºD) – Dr. Ariovaldo Carvalho

Gália (5ºD) – Aparício Rocha

Garça (5ºD) – João de Castro

Guaratinguetá (3ºD) -  Professor Mário Moreira

Ibirá (10ºD) – Jonas Gonçalves e Antônio Gonçalves de Carvalho

Ilha Bela (6ºD) – Dr. Leovigildo Trindade

Inácio Uchôa (10ºD) – Manuel Reverendo Vida e Sílvio Sales José Batista de Carvalho

Indaiatuba (4ºD) – João de Paula Leite e Tiago Mazagão

Ipauçu (5ºD) – Dr. Breno Noronha

Itapetininga (4ºD) - General Ataliba Leonel

Itapira (7ºD) - Coronel Francisco Vieira

Itararé (5ºD) – Indalé Ramos e Coronel Nenê Sobrinho

Itatiba (5ºD) – Dr. Pires Neto

Itatinga (5ºD) – Renato Lopes de Oliveira

Itu (4ºD) – Antônio de Almeida Toledo e Laudelino Xavier da Silveira

Jacareí (2ºD) – Sebastião Soares Lara

Jambeiro (2ºD) – Coronel Júlio Augusto de Melo

Jaú (9ºD) – Dr. Orozimbo Loureiro e Justiniano dos Santos

Joanópolis (6ºD) – Dr. Pires Neto

José Bonifácio (10ºD) – João Domingos do Amaral

Jundiaí (6ºD) – Juarez Godói e Horácio de Oliveira

Laranjal (4ºD) – Dr. Quinzinho Assunção

Leme (8ºD) – Dr. Custódio de Lima

Limeira (8ºD) – Major José Levi Sobrinho

Lins (5ºD) – José Soares Barbosa e Pedro Tavares

Lorena (3ºD) – Dr. José Ortiz Nogueira

Marília (5ºD) – Dr. Carlos Moraes Barros e Eurico de Novais

Matão (10ºD) – Dr. Edgard Batista Pereira

Mirassol (10ºD) – Vitor Cândido de Souza e Antônio Fidélis

Mococa (7ºD) – Dr. Manoel Carlos de Siqueira

Mogi das Cruzes (2ºD) – Basílio Batalha

Mogi Guaçu (7ºD) – Coronel Francisco Vieira

Mogi Mirim (7ºD) – Coronel Francisco Vieira

Monte Alto (10ºD) – Dr. Raul Medeiros

Monte Aprazível (10ºD) – Dr. Antônio Tavares de Almeida

Monte Mor (4ºD) – João Paulo Ginefra

Nogueira (5ºD) – (?) organizações próprias

Óleo (5ºD) – João Fausto Giraldes

Ourinhos (5ºD) – Rodopiano Leones da Silva

Palmital (5ºD) – Otávio Pinto Ferraz

Pederneiras (9ºD) – Olinto Fraga Moreira

Pedreira (6ºD) - Dr. Plínio Amaral

Penápolis (5ºD) - Capitão Moisés

Pindamonhangaba (3ºD) – Raul Prado Salgado

Pindorama (10ºD) – Dr. Edgard Batista Pereira

Pinheiros (3ºD) – José Horta

Piracicaba (8ºD) – Luís Dias Gonzaga

Pirassununga (8ºD) – Dr. Fernando Costa

Piraju (5ºD) – Agostinho de Arruda

Pirajuí (5ºD) – Joaquim Amaral Melo

Piratininga (5ºD) – Antônio Dias Soares 

Porto Feliz (4ºD) – José Martins Bastos e Farmacêutico Martelli

Presidente Alves (5ºD) – Tenente José Antônio Nogueira

Promissão (5ºD) – Dr. Alcino Sodré

Quatá (5ºD) – Dr. Tito Lívio Brasil

Queluz (3ºD) – Professor Henrique Thim

Ribeirão Preto e Alta Mogiana (10ºD) – Drs. Fábio Barreto, Francisco Junqueira, Albino

                                                                Camargo e José de Aguiar Pupo

Rio Claro (8ºD) – Irineu Penteado

Rio Preto (10ºD) – Dr. Cenobelino de Barros Serra, Dr. Teotônio Monteiro de Barros,

                               Hernani Domingues e Vítor Brito Bastos

Salto de Itu (4ºD) – Sílvio de Almeida Sampaio

Salto Grande (5ºD) – Coronel Mursa

Santa Cruz do Rio Pardo (5ºD) – Dr. Abelardo Guimarães

Santa Isabel (2ºD) – Antônio Monteiro da Cruz

Santa Rita (8ºD) – Antônio Meireles Pinto

Santo Anastácio (5ºD) – Dr. Tito Lívio Brasil

São Bento do Sapucaí (3ºD) – Tenente Eurico Vieira Lima

São Carlos (9ºD) - Tomás Gregori

São José do Barreiro (3ºD) – Dr. Antônio Santa Marinha e Reinaldo Maia Souto

São José dos Campos (2ºD) – Major José D’Elias

São José do Rio Pardo (7ºD) – Tarquínio Olinto

São João da Boa Vista (7ºD) – Drs. Teófilo de Andrade e Cândido de Oliveira

São Luís do Paraitinga (2ºD) – Euclides da Silva Alemeira e Dr. Granadeiro Guimarães

São Manuel (5ºD) - Antônio Meira Leite

São Miguel Arcanjo (4ºD) – Jornalista Antenor Silvério

São Pedro do Turvo (5ºD) – Dr. Abelardo Guimarães

São Prudente (5ºD) – Dr. Tito Lívio Brasil

São Roque (4ºD) -  Dr. Argeu Vilaça

São Sebastião (2ºD) – Dr. Leovigildo Trindade

São Simão (7ºD) – Calimério de Oliveira

Serra Azul (7ºD) – Dr. José Sampaio Leite

Silveiras (3ºD) – Artur da Silva Bernardes

Socorro (6ºD) - Drs. J. B. Gomes Ferraz e Plínio Amaral

Sorocaba (4ºD) – General Ataliba Leonel

Tanabi (10ºD) – João Gualberto Portugal e Francisco Vargas

Taquaritinga (10ºD) – Antônio Santana e Manuel Mendonça

Tatuí (4ºD) – General Ataliba Leonel

Taubaté (2ºD) – Drs. Antônio de Moura Abud e Mário Ferreira Lopes

Tibiriçá (5ºD) – (?) organizações próprias

Tietê (4ºD) – Drs. Ibraim Madeira e Plínio Rodrigues

Torrinha (9ºD) – Dr. Raul Lacerda

Tremembé (2ºD) – Drs. Antônio de Moura Abud e Mário Ferreira Lopes

Una (4ºD) – Raimundo de Almeida Lima

Vargem Grande (7ºD) – D’Ávila Ribeiro e Coronel Francisco Vieira

Vila Americana (6ºD) – Dr. Pires Neto.



*Fonte:

FIGUEIREDO, E. Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo, Livraria Martins Editora S.A., 1954. 325p., 2 doc., 10 mapas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

SOBRE AS CAUSAS DO FIM DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA.



         No seu livro "Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932", o General Euclydes de Figueiredo após expor os fatos ocorridos nos últimos  dias da guerra, fez considerações sobre as causas que levaram a cessação das hostilidades no dia 02 de outubro de 1932. O General, em seu livro fez um relato que se pode considerar histórico e ao final fez os comentários que se seguem:









                         







                              A seguir o telegrama enviado pelo General Klinger informando a cessação das hostilidades.








Fonte de informação.

FIGUEIREDO,E. Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932: São Paulo, Livraria Martins Editora S.A., 1954. 340p.

Imagem telegrama disponível em  peregrinacultural.wordpress.com, acesso em 10 de set.de 2013.