Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Recebimento do DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO GENERAL BRAZILIO TABORDA


É com muita honra e satisfação que compartilho com os amigos e leitores o recebimento do Diploma de Honra ao Mérito General Brazilio Taborda, em solenidade organizada pelo Núcleo de Correspondência Voluntários Paulistas de Piracicaba e realizada no Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, na cidade de Piracicaba (SP), em 27 de outubro de 2012.

Agradeço ao Sr. Egydio João Tisiani, ao Prof. Jefferson Biajone e ao Cel. Mario Fonseca Ventura pela confiança e reconhecimento do trabalho realizado pelo Núcleo de Correspondência de Jaguariúna.

Agradeço à Sra. Maria Antonieta Sachs Mendes, Diretora do Museu, pela calorosa recepção e consideração e  também aos amigos, leitores, colaboradores e seguidores deste blog.

 

Maria Helena de Toledo Silveira Melo

 “AO COMBATE PELA VITÓRIA”


 Maria Helena de Toledo Silveira Melo, recebendo o Diploma das mãos do Sr. Egydio João Tisiani, DD. Conselheiro do Núcleo MMDC de Piracicaba.
 
Frente do Diploma.
 
 Verso do Diploma.
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

AS DUAS TRINCHEIRAS




"Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que é nossa bandeira gravada no chão,
pelo branco do nosso Ideal,
pelo negro do nosso Luto,
pelo vermelho do nosso Coração".

(Guilherme de Almeida)

 




Arquivo particular.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A INVASÃO DA FAZENDA









 Figura 1. Prédio principal da Fazenda da Barra (Losekan,2009).
Breve histórico sobre a Fazenda
A Fazenda da Barra teve origem na divisão da sesmaria do Coronel Luiz Antonio Souza e Bernardo Guedes Barreto.
As terras da fazenda, localizadas às margens dos rios Camanducaia e Pirapitingui faziam divisa com a Faz. Ribeirão (atual Holambra), de propriedade do Coronel Amâncio Bueno e Presidente Tibiriça (região do atual município de Santo Antonio de Posse).
Em meados do século XIX, José Guedes de Souza, o Barão de Pirapitingui, tetraneto de Barreto Leme, assumiu a liderança da fazenda e com o seu falecimento assumiu seu filho José Alves Guedes.
Pouco antes da crise do café José Alves Guedes faleceu e em julho de 1932 sua esposa Siomara Penteado Guedes tentou vender a propriedade mas devido à Revolução Constitucionalista a negociação foi adiada.
Figura 2. Aqueduto na Fazenda da Barra.
A INVASÃO
Devido à sua localização estratégica, em 1932 a fazenda foi invadida pelas tropas mineiras que tornaram o casarão um quartel general improvisado e ali permaneceram por três meses. Na invasão destruíram louças e móveis.
A invasão da Fazenda da Barra foi facilitada pelo fato dos proprietários e a maioria dos empregados terem-na abandonado, com receio dos combates que se travavam na região.
Na sala principal do casarão os invasores deixaram gravadas duas inscrições a carvão, preservadas até hoje: “A covardia é a base de todos os rebeldes” e “Fazendeiros! Minas há de abater o orgulho de São Paulo!!! Salve o pelotão UCA”.  
Nas figuras a seguir, inscrições que as tropas mineiras deixaram gravadas nas paredes de uma das salas.
As inscrições não são totalmente visíveis porque estão parcialmente cobertas com lona em consequência das obras de restauração.

                               Figura 3. Parte da inscrição “abater o orgulho”
                               Figura 4. Parte da frase “orgulho de S. Paulo”
                               Figura 5. Parte da inscrição “de S. Paulo”
 
                                Figura 6. Parte da inscrição “Fazendeiros!”



                                Figura 7.
                               Figura 8. Parte da inscrição “Fazendeiros! Minas ainda há de....”

Há um terreiro bem em frente à casa principal, do qual se avista vários pontos que seriam estratégicos. Talvez seja por isso que as tropas mineiras instalaram-se na residência.
                                Figura 9. Terreiro, que fica à frente do prédio principal.
                         Figura 10. Esta é a visão do rio Camanducaia, que se tem do terreiro.
                          A construção que se vê é parte da roda d’água existente na fazenda.
                                Figura 11. Visão da mata que margeia o rio Camanducaia.
Hoje, a sede e a área circunvizinha pertencem à prefeitura de Jaguariúna que está restaurando as edificações.
Para visualizar a localização da Fazenda da Barra, clicar ou acessar o link abaixo (imagem de satélite).
Fontes das informações.

LOSEKAN,S.  Convênio Salva a Fazenda da Barra, em Jaguariúna.  set.  2009. Disponível em:
http://jaguariunapalmadamao.blogspot.com.br/2011/09/fazenda-da-barra.html Acesso em 10 de out. 2012. 
ESCOLA CEL. AMÂNCIO BUENO. Projeto Jaguariúna na Palma da Mão. Fazenda da Barra. 8 set.2011. Disponível em:  <http://jaguariunanapalmadamao.blogspot.com.br/2011/09/fazenda-da-barra.html > Acesso em : 10 de out. 2012.

RIBEIRO, S. B. Jaguariúna no curso da história.   Secretaria de Educação de Jaguariúna. Jaguariúna, 2008. 256p. Disponível em: <http://www.casadamemoriajaguariuna.com.br/cmj/docs/livrojagua.pdf > Acesso em: 10 de out.2012.


sábado, 6 de outubro de 2012

O problema da interiorização no estudo de História Militar: o caso de Santos e seus mortos na Revolução de 1932.




Ney Paes Loureiro Malvasio



O texto original foi dividido em quatro partes.
 

Parte final




                                         Considerações Finais

 

Portanto, através de uma pesquisa efetuada em fontes da época da revolução de 1932, as fontes primárias como são chamadas no trabalho histórico, pude verificar que nem todos os militares e voluntários civis, nascidos numa cidade de São Paulo, nesse caso específico, Santos, eram conhecidos na terra natal ao ser feita uma grandiosa homenagem, nos cinqüenta, ao contrário do que já fora demonstrado na São Paulo capital, logo após o movimento armado. Claro que, refiro-me apenas aos mortos durante o período de combates, de julho ao início de outubro de 1932.

Apresentei, em razão disso, os sete mortos restantes que deveriam ter seus nomes gravados, junto aos outros combatentes tombados após o nove de julho no grande monumento erigido em frente a catedral e o Fórum de Santos. Como se depreende, esses mortos em combate já eram conhecidos muito bem em 1936, na grande campanha pela construção do Obelisco do Jardim do Ibirapuera em São Paulo, e mesmo depois disso, ainda eram desconhecidos na ereção do monumento aos mortos santistas, vinte anos depois.

Como demonstrado, esses mortos em combate especificados neste artigo, só ficaram até agora rememorados na macro-história política e militar e não na memória local/regional da cidade que os viu nascer. Portanto, existe essa situação limitada no trabalho histórico, como procurei demonstrar nessa pesquisa, de utilizar apenas a história regionalista ao procurar rememorar a história político/militar de um evento que se alastrou pelo estado e muito além, tal como aconteceu com o voluntário Gastão Lopes Leal em pleno Rio de Janeiro, a capital federal à época.

 

 

Ney Paes Loureiro Malvasio
neymalvasio@gmail.com
Mestre em História Social pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/IFCS),
Membro da Associação de Combatentes
de 1932/Seção Santos, antigo professor do
Quadro Complementar de Oficiais do
Colégio Militar do Rio de Janeiro.
 

 

 

Fontes de Consulta:

 

      AMARAL, Antônio B. A missão Francesa de Instrução da Força Pública de São

       Paulo. 1.ed. São Paulo: Dep. De Cultura, [s.d.].

 

      AMORIM, Santos. Santistas nas Barrancas do Paranapanema. 1.ed. São Paulo:    

       Carmelo Simone, 1932.

 

ANDRADE, Horácio de; MIRANDA, A. Guanabara de Arruda; SOARES, Oswaldo   Bretas. Cruzes Paulistas. São Paulo: Gráfica da Revista dos Tribunais, 1936.

 

ANDRADE NETTO, Manoel Candido de. Bastidores da Revolução Constitucionalista/32. Rio de Janeiro: Estandarte, 1995.

 

DONATO, Hernâni. A Revolução de 32. São Paulo: Abril/Círculo do Livro, 1982.

 

            ______________. História da Revolução de 32. São Paulo: IBRASA, 2002.

 

          FREITAS, Sônia Maria de. História Oral: Possibilidades e Procedimentos. São Paulo: 

          USP/Imprensa Oficial do Estado, 2002.

 

           HIPPÓLITO DA COSTA, Fernando. Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira    

           (1685-1941). Rio de Janeiro: INCAER, 2000.

 

MORI, Vitor Hugo; LEMOS, Carlos A. C.; CASTRO, Adler Homero F. de. Arquitetura Militar: um panorama histórico a partir do porto de Santos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Fundação Cultural do Exército, 2003.

 

DE PAULA, Jeziel. 1932: imagens construindo a história. Campinas/Piracicaba: Editora da Unicamp/Editora Unimep, 1998.

 

           POLLAK, Michel. Memória, esquecimento e silêncio. In: Estudos Históricos, v.2, nº3,   

           Rio de Janeiro: Associação de Pesquisa e Documentação Histórica, 1989, p.3-15.

 

PONTES, José Alfredo Vidigal. O Brasil se revolta: o caráter nacional de um movimento democrático. São Paulo: Editora Terceiro Nome/O Estado de São Paulo, 2004.

 

SANTOS, Francisco Martins dos. História de Santos. 2ª ed. São Vicente: Caudex, 1986. v. II.

 

SANTOS, Francisco Ruas (coordenador). História do Exército Brasileiro. Brasília: EME/IBGE, 1972.  v. 3.

 

           VELHO, Gilberto. Projeto e metamorfose. Antropologia das sociedades complexas. Rio  

           de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

 

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O problema da interiorização no estudo de História Militar: o caso de Santos e seus mortos na Revolução de 1932.


                                                                                      Ney Paes Loureiro Malvasio
 
O texto original foi dividido em quatro partes.
 
Parte III

 

Gastão Lopes Leal, mais um santista, nascido em 06 de dezembro de 1897. Mas que, ao contrário dos outros combatentes expostos neste artigo, não foi vitimado em uma das batalhas ocorridas em São Paulo, mas sim, ao procurar evadir-se do Rio de Janeiro para engajar-se em um dos batalhões de voluntários paulistas. Gastão Leal procurou, desde o início do movimento de nove de julho, escapar da capital federal, contudo o Rio de Janeiro encontrava-se sob severa vigilância do governo de Getúlio Vargas, conforme bem documentado por nossa História. Assim como fizeram outros militares e voluntários afeitos à causa da constituição, Gastão Leal juntou-se a outros voluntários imbuídos da vontade de congregar-se aos outros combatentes:

 

... funcionário da Companhia Construtora Paulista, tentou entrar em contato com os conspiradores constitucionalistas no Rio de Janeiro, tão logo soubera de sua existência... No início de julho, fez aquilo que, para ele, seria uma rápida viagem  ao Rio, razão pela qual deixara a mulher e o filho pequeno em São Paulo. Iniciadas as hostilidades, a revolução o impedia de voltar para casa... A grande esperança que tinha era a de ser aceito pelos revolucionários cariocas e ser colocado nas rotas clandestinas de envio de pessoal para São Paulo.[9]

 

 Por fim, a longa busca pela evasão do Rio de Janeiro o levou a fazer parte da tripulação de um avião da Pan Air do Brasil[10], o P-BDAD, conforme a foto abaixo de um modelo idêntico da mesma companhia aérea, preparado clandestinamente para um vôo até São Paulo, já no final do movimento armado.

 

                                       Sikorsky S-38 B, da Pan Air do Brasil

                             

 

Esse hidroavião bimotor, um Sikorsky S-38 B, conseguiu decolar do Rio de Janeiro em 25 de setembro, com alguns voluntários a bordo. Entretanto, o vôo terminou em tragédia, pois 25 quilômetros após a decolagem[11], o aeroplano caiu sobre a região de Vigário Geral, próximo a Mesquita, no próprio Rio de Janeiro, vitimando todos a bordo: Jaime Taveira, mecânico da empresa aérea; Walter Voss, um voluntário austríaco, veterano da Primeira Guerra Mundial; Manoel Machado, vigia do campo de pouso da Pan Air e, o santista Gastão Lopes Leal que há muito esperava a oportunidade de atingir a área de combate. Gastão Lopes era formado na Universidade de Minerva, em Zurique, na Suíça e  foi sepultado no próprio Rio de Janeiro, através do esforço de amigos que lá moravam.

José Pereira nasceu em Santos, em 1906, era soldado do 60 B.C.P. da Força Pública. Essa unidade de José Pereira partiu para o setor sul de operações em 21 de julho, parte da  frente que foi comandada pelo coronel Brasílio Taborda do Exército Brasileiro, fazendo uma destacada defensiva ao grande contingente combinado dos três estados do sul.

 

A relação espaço-tempo, embora os constitucionalistas tenham sofrido seguidos reveses, transformara uma bem-sucedida campanha ofensiva do destacamento do Exército do Sul numa melhor campanha defensiva dos adversários.[12]

 

O miliciano José Pereira, fazia parte dessa grande frente do Setor Sul comandada pelo coronel Taborda. O soldado da Força Pública encontrou a morte ao atravessar o rio Ribeira, durante movimentos coordenados no dia 13 de agosto.

 

Nos primeiros dias de agosto, (era) latente a pressão dos governistas. Os reflexos se fizeram sentir nos deslocamentos que pareceram adequados ao coronel Taborda: decidiu pala manobra e retirada, com ação retardadora, defendendo o terreno palmo a palmo, primeiramente, na linha d’água Apiaí-Mirim, depois na de Paranapanema-Alves. Na primeira ação impunha-se a posse de uma cabeça de ponte em Buri e, para isso, montou-se um ataque previsto para 13 de agosto...[13]

 

Ao que tudo indica, o guerreiro da Força Pública foi sepultado em Nuporanga, em meio ao caos desses combates de 13 de agosto, com diversas travessias de rios no ataque e na volta aos pontos iniciais.

Sérgio Antunes de Andrade, outro soldado da gloriosa Força Pública de São Paulo, uma força estadual de grande escopo, pois em 1931, calculava-se 8192 homens no Decreto de 27 de junho. Além disso, era uma força militar de grande utilização, incluindo fora da província/estado, podendo-se citar a Guerra do Paraguai, revolução Federalista, campanhas de Canudos, e por fim, a Revolução de 1924, seguida da Coluna Miguel Costa (major da F.P., terminou a revolução de 1930, como general), erroneamente nomeada de Luís Carlos Prestes, por simples motivos ideológicos. O interessante durante 1924/25 é que além de ter um efetivo de +/- 14200 homens, havia um grande número de integrantes da Força Pública dos dois lados do conflito, e o comandante revolucionário Miguel Costa, também da Força, tal como citamos. [14]

Outro aspecto muito interessante da Força Pública, foi o fato de ter uma Força Francesa de Instrução, desde 1906,[15] lembrando que o Exército só optou por isso após o final da Primeira Guerra Mundial, em 1919. Portanto, em 1932, São Paulo tinha uma força própria habilidosa, desde a Guerra do Paraguai, participando de conflitos fora da província/estado; bons comandantes, muitos do Exército; treinada de forma excelente pela Instrução Francesa e com grande número de tropa, ativos ou apenas esperando uma nova chamada.

Sérgio Antunes, o último que citamos linearmente, viveu jovem toda essa história da Força de seu estado e, 1932 o viu bastante jovem, já em serviço anterior ao início do conflito. Nasceu em Santos em 1911, como notamos, era de pouca idade ao deflagrar-se o movimento de nove de julho de 1932. Sérgio Antunes, nessa ocasião, fazia parte da 10 companhia do 80 B.C.P., outra unidade da Força Pública que operou no setor sul. Entretanto, no dia 28 de agosto, o combatente foi ferido gravemente pelo fogo adversário, durante um dos combates travados numa linha próxima ao rio das Almas.

 Após o combate, o jovem soldado da Força Pública foi sepultado em Capão Bonito.



[9]  Manoel Candido de Andrade Netto. Bastidores da Revolução Constitucionalista/32. Rio de Janeiro: Estandarte, 1995. p. 177.
 
[10]   ___________. Bastidores da Revolução Constitucionalista/32. Rio de Janeiro: Estandarte, 1995. p. 210.
 
[11] Fernando Hippólito da Costa. Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira (1685-1941). Rio de Janeiro: INCAER, 2000. p. 384.
 
[12] Francisco Ruas Santos(coord). História do Exército Brasileiro. Brasília: EME/IBGE, 1972.  v. 3. p. 953.
[13] . _______________________. História do Exército Brasileiro. Brasília: EME/IBGE, 1972.  v. 3. p. 953.
 
[14] Euclides Andrade & Hely F. da Camara. A Força Pública de São Paulo: Esboço Histórico(1831-1931). São Paulo: Sociedade Impressora Paulista, 1931. p. 32-33.
 
[15] Antônio B. Amaral. A missão Francesa de Instrução da Força Pública de São Paulo. São Paulo: Dep. De Cultura, [s.d.].
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O problema da interiorização no estudo de História Militar: o caso de Santos e seus mortos na Revolução de 1932.


Ney Paes Loureiro Malvasio

 

 

O texto original foi dividido em quatro partes.

Parte II

 

Bento de Barros foi um dos valorosos integrantes da “coluna Romão Gomes”, que operou a revolução inteira pela estratégia da guerra de movimentos, ao contrário do verificado na maioria dos outros setores de combate. Esse voluntário santista, nascido em 15 de janeiro de 1905, foi incorporado ao Batalhão Barreto Leme (parte da “coluna” comandada por Romão Gomes, oficial da Força Pública de São Paulo) e fez a revolução no arriscadíssimo lugar de padioleiro.

 

Na frente mineira mereceu destaque a figura de Romão Gomes, um major da Força Pública que cursava a Faculdade de Direito. No início da revolução estava no comando do 10 Batalhão Paulista de Milícia Civil – um corpo de voluntários transformado depois na coluna Romão Gomes - , chamando a atenção por sua forte liderança em ações de combate: na defesa de Águas da Prata comandou 450 homens contra 2 mil soldados governistas... conseguindo repelir os atacantes. Promovido a coronel, assumiu o comando do Estado-Maior daquela frente, sediado em Mogi-Mirim. Comandando as tropas do Exército lotadas em Casa Branca, tida como a unidade mais eficiente de todas as forças constitucionalistas, recuperou em poucas semanas várias posições importantes já tomadas pelo inimigo: Vargem Grande, Lagoão, São João da Boa Vista, Cascavel, Mococa, Grama e outras localidades menores.[5]

 

Dessa forma, fazer parte da “coluna Romão Gomes”, mostra o brio transmitido a todos os integrantes da unidade. Em 5 de setembro, Bento de Barros, já na graduação de cabo e auxiliando na heróica remoção de feridos da coluna, debaixo do fogo inimigo, foi colhido por um tiro na estrada entre Grama e Poços de Caldas (MG). Após a revolução, o voluntário santista foi enterrado em Araraquara, provavelmente resida aí o motivo (tal como tenho destacado em cada voluntário morto em combate) de desconhecer-se a participação de Bento de Barros em sua terra natal, tal como se lê em Cruzes Paulistas:

 

Na estrada que liga a cidade de Grama a Poços de Caldas, em terras da fazenda Totó de Mello, Bento de Barros morreu a 5 de setembro, quando cumpria seu nobre mister, vitimado por uma bala de fuzil na cabeça... Nascido em Santos, a 15 de Janeiro de 1905, Bento de Barros era solteiro e artífice.[6]

 

Bernardo Nunes, outro voluntário civil da revolução constitucionalista. Alistou-se em Santos, presumivelmente onde nasceu, e partiu para a luta fazendo parte da “Legião Negra”, famosa por sua atuação no movimento de 1932.

 

Provavelmente um dos mais desconhecidos, silenciados e menos estudados aspectos da guerra civil de  1932 seja a grande mobilização e intensa participação da comunidade negra de São Paulo a favor do ideal de democratização do país. Para se ter uma noção do que representou essa arregimentação dos paulistas negros é preciso, anteriormente, considerar o alto grau de organização que já possuíam as chamadas “associações de raça”, estabelecidas em vários pontos do estado, antes da deflagração do conflito.[7]

 

Bernardo Nunes certamente, pela pesquisa desenvolvida, foi mais um heróico integrante da “Legião Negra” que foi criada da seguinte forma:

 

... na capital paulista, era oficialmente criada e coordenada pelo presidente do Partido Radical Nacionalista, J. Guaraná de Santana, a Legião Negra de São Paulo. Treinada militarmente pelo capitão Gastão Goulart, da Força Pública, auxiliado pelo tenente Arlindo Ribeiro, do Corpo de Bombeiros (F.P.) - ambos negros -, a legião era formada por dois batalhões de infantaria e chegou a possuir um efetivo de cerca de 1600 combatentes incorporados ao Exército constitucionalista.[8]

 

 O nosso Bernardo Nunes, foi mais um dos bravos do setor sul, onde morreu atingido por um tiro de fuzil em um dos combates travados em Apiahy. No período final de sua participação na gloriosa campanha, encontrava-se transferido para o Batalhão Marcílio Franco.

 

 



[5] José Alfredo Vidigal Pontes. O Brasil se revolta: o caráter nacional de um movimento democrático. São Paulo: Editora Terceiro Nome/O Estado de São Paulo, 2004.  p. 158.
 
[6]  Horácio de Andrade; A. Guanabara de Arruda Miranda; Oswaldo Bretas Soares. Cruzes Paulistas. São Paulo: Gráfica da Revista dos Tribunais, 1936. p. 123.

[7]  Jeziel de Paula. 1932: imagens construindo a história. Campinas/Piracicaba: Editora da Unicamp/Editora Unimep, 1998. p. 164.
[8]  ___________ . 1932: imagens construindo a história. Campinas/Piracicaba: Editora da Unicamp/Editora Unimep, 1998. p. 167.