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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

NÚMEROS DA REVOLUÇÃO DE 1932


                                                                               Luiz Antonio Silveira Melo (1)

Os números foram totalmente desfavoráveis à São Paulo: metade de um Estado (sul do Mato Grosso) aderiu à causa, poucos homens e fuzis menos ainda, pouca artilharia, pouca munição, poucos aviões e nenhum navio pois não houve adesão da Marinha.

Os Combatentes e suas Armas (2)

Os exércitos da ditadura contavam com cerca de 300 mil homens, enquanto que os combatentes de São Paulo foram perto de 34.000. Destes, aproximadamente 10% eram do Exército, 30% da Força Pública e 60% de Voluntários civis.

Houve 60.000 inscrições de voluntários mas o número foi restringido porque não havia fuzis suficientes para todos.

As armas existentes na maior parte eram antigas, havendo em todo Estado somente 27.685 fuzis que a ditadura não removeu após 1930, por serem deficientes e obsoletos. Havia uma metralhadora para cada 235 homens, enquanto que o padrão seria de uma para 25 soldados. A munição também era restrita cabendo, no máximo, 100 tiros por soldado, sendo que pelos padrões da I Guerra Mundial, o número seria de 150 cartuchos por dia por soldado. Para complementar a munição, os cartuchos já deflagrados eram recolhidos do chão e enviados à São Paulo para serem recarregados.

Agravando ainda mais a situação, os voluntários tiveram, quando muito, treinamento precário, havendo a informação de que os Voluntários de Itapetininga chegavam e, sem nunca terem manejado um fuzil, logo eram mandados para as trincheiras.

Quanto à aviação, de acordo com Malvasio (s.d.), quando estourou a Revolução os paulistas contavam com somente quatro aviões militares e posteriormente foram acrescentados mais dois, trazidos do Rio de Janeiro por oficiais da Aviação Militar; em setembro chegaram mais nove aviões provenientes do Chile. Essa foi a Esquadrilha Paulista Gaviões de Penacho.

 

Os Bravos que Morreram por São Paulo

Na obra de Montenegro & Weisshon (1936) são descritos 632 mortos por São Paulo na Revolução de 1932. Entretanto, uns falam em mais de 900, outros em mais de 2.000, estes últimos números, porém, sem qualquer comprovação. Baseando-se na obra citada, fez-se uma compilação dos dados, observando-se que perto de 58% dos mortos eram voluntários e o restante 42% pertenciam predominantemente ao Exército e Força Pública e também ao Corpo de Bombeiros, ao CPOR, à Guarda Civil e à Aviação. A  ocorrência de maior mortalidade de voluntários foi provavelmente pela falta tanto de treinamento como de armamento, como anteriormente relatado.

Cerca de 6% dos combatentes faleceram posteriormente em virtude de doenças adquiridas nas trincheiras. Outros faleceram em acidentes diversos e também rodoviários e por manuseio de armas ou de explosivos.

As maiores porcentagens de mortes em combate e/ou por ferimentos decorrentes dele, segundo o local de ocorrência, em ordem decrescente, foram: Túnel (9%), Vila Queimada (6%), Silveiras (5%), Bury (3,3%), Pinheiros (3%), Campinas e Capão Bonito (2,5%), Itapira (2,4%), Rio das Almas (2,2%), Cunha (1,9%), Amparo e Queluz (1,7%). Há de se considerar que muitos morreram combatendo em local não determinado.

Houve muitas baixas no Túnel e de acordo com Donato (1982) ele foi ocupado  pelos paulistas, que ficaram à espera dos “aliados” mineiros. Porém, em 16/07, duas unidades do Exército chegaram atacando e no dia 18/07 chegaram mais 1.500 policiais mineiros.

Computaram-se perto de 41% de mortos nas regiões próximas ao sul de Minas  Gerais e Rio de Janeiro e de 17% próximo ao Paraná. Essas regiões foram importantes porque nelas concentraram-se as tropas da ditadura para invadir São Paulo. No Mapa a seguir podem ser observadas as frentes de combate que predominavam nas regiões nordeste e sudoeste do Estado.

                  Carta elaborada por J. Washt Rodrigues, segundo Donato (1982).





(1)       Eng. Agrônomo, Dr., ex-Pesquisador da Embrapa, aposentado, filho do ex- combatente piracicabano Léo Silveira Mello.

(2)       Dados baseados em Donato (1982) e Andrade Filho (2012).

 

Bibliografia

 

ANDRADE FILHO, W. facebook.com/#!/groups/13678174593/, acesso em 31/07/2012.

 

DONATO, H. A Revolução de 32. São Paulo: Círculo do Livro S.A., 1982. 224p.

 

MALVAZIO, N. O Ataque a Mogi Mirim: fogo nos céus paulistas. Impresso não publicado, s.d. 7p.

 

MONTENEGRO, B.; WEISSOHN, A. A. (org.). Cruzes Paulistas: os que tombaram, em 1932, pela glória de servir São Paulo. São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1936. 516p.


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