Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

“EU FUI DO 1º BATALHÃO DO REGIMENTO 9 DE JULHO”.








O toque impressionante do milagre na fuga de um Soldado Constitucionalista da Batalha de Amparo, cativo com toda a vanguarda de seu Batalhão.




No dia 13 de julho, (era um dia claro e seco) seguia o 1º Batalhão do “Regimento 9 de Julho”, sob o comando do Capitão Labiano (ou Fabiano) Dias, militar bravo e decidido da Força Pública, rumo ao Setor Bandeirante.  “Eu ia com esse Batalhão, mas não me destaque dos companheiros, porque fui igual a todos...” Pede Luís Araripe Sucupira.
Atingiram Santa Rita da Extrema. E foram além, penetrando Camanducaia até Cambuí, perto de Paraisópolis, em Minas Gerais. O Batalhão, organizado e patrocinado pelo então Instituto do Café, do qual era presidente o nortista Luís Américo de Freitas, constituía-se de perto de 600 moços, de 23 a 28 anos, mas eu era mais velho, e por ter sido aluno do Colégio Militar, deram-me o posto de Tenente.
O Batalhão que seguira de trem até Bragança e daí a pé, por léguas e léguas até Cambuí, recebeu ordem em setembro de recuar até Amparo, afim de atacar, nesta cidade, as forças comandadas pelos então Coronel Eurico Dutra, Cel. Teixeira Lott e Benjamim Vargas. Travou-se a batalha no dia 18 de setembro, às 6 horas da manhã, dando-se o ataque no minuto exato da rendição de tropas. A investida fulminante do 1º Batalhão, que levou o fogo até o cemitério de Amparo, quase forçava as forças federais à retirada. Mas fez-se sentir o contra-ataque, passada a emoção da surpresa e a luta terminava sete horas depois, por falta de munição.
- Foi um combate heróico, no qual todos os paulistas mostraram grande coragem. Se não faltassem armas, não há dúvida que tomaríamos Amparo mas...seria inútil porque as forças federais eram muitíssimo mais poderosas.
Morreram 30 paulistas e a guarnição integral de metralhadoras da Força Pública foi destruída. A vanguarda, que conseguira proteger a retirada das tropas da retaguarda, foi cercada e feita prisioneira: Eu estava entre os 216 prisioneiros, cativos de ex-colegas e íntimos amigos meus, do Colégio Militar, entre eles o então Major Aristóteles de Souza Dantas, hoje General.
Por coincidência, morava em Amparo o irmão de Luiz Araripe Sucupira, o delegado Antônio Araripe Sucupira. A sua casa defrontava o Quartel General onde se aquartelava o Estado Maior. Embora Antônio não fosse soldado, suspeitaram dele pelo parentesco com o Tenente Araripe. Prenderam-no como espião, mandando-o, juntamente com os demais prisioneiros para o Rio.
Como tínhamos de fazer muitos quilômetros à pé, valendo-me da antiga amizade que tinha com Teixeira Lott, pedi-lhe que transportasse, em seu automóvel a mala de meu irmão. Aquiesceu.
As forças federais puseram os prisioneiros no trem. E fomos os primeiros a passar pelo Túnel, já em mãos dos adversários, após os combates memoráveis do Exército Constitucionalista. A viagem durou três dias. Meus companheiros ficaram em Ilha das Flores. O então Major Edgar Amaral, presentemente General, determinou que eu ficasse em Rezende, por ter sido seu colega. Eu era ainda para eles o 67: não se esqueciam do nosso convívio no Colégio Militar. Tratavam-me, dentro do possível, com afeto, desculpando-se: - Sentimos muito 67, tê-lo como prisioneiro de guerra.
Mandaram que um aspirante o acompanhasse pela litorina até o Quartel General do Rio. A movimentação aí, era enorme, com tropas de prontidão, e soldados dormindo até nas escadarias. Chegamos ali entre 11 e meia noite. Eu devia prestar declarações diante do Estado Maior. O Capitão a cuja presença fui levado, pediu-me que declinasse o nome e a idade. Respondi: Devo estar completando 40 anos de idade; e acho que por isso mereço a liberdade.
Ele retrucou que a liberdade não me daria e sinto muito, 67; faça-nos as suas declarações. Declarei então, erguendo a voz em desafio, que os federais jamais conseguiriam entrar em São Paulo pois as paulistas e as crianças os receberiam com bombas de ácido sulfúrico.  - Ácido Sulfúrico? interromperam os oficiais. E o Capitão, apavorado levou-me até o General, no andar superior. A oficialidade, cercando-me, fez festa, e todos quiseram ver os bonés que tirei dos bolsos para mostrar-lhes. Exclamavam:  - Os paulistas são formidáveis. A voz do General fez-se ouvir. Pode ir, 67. E eu fui. Fui descendo as escadas.



A FUGA EMOCIONANTE.


O Capitão que o levaria até o General não o aguardava. E ele continuou descendo por entre oficiais e soldados armados. Vi-me, enfim, no pátio interno do Quartel, com a minha capa gaúcha, a minha barba cavanhaque, sujo de muitos dias sem banho. E ouvia ressoando a voz do General: - Pode ir, 67... pode ir. Será que posso? Será que Deus me concederá a liberdade neste dia de meu aniversário? Apertei com as mãos a oração de Santa Catarina que eu guardava junto ao coração. Fôra herança de meu pai essa relíquia santa, e o acompanhará por toda a Guerra do Paraguai. Acompanharam-me também na Causa de São Paulo. Balbuciando a reza, afrontei as duas metralhadoras cruzadas e... franqueei o portão. A Guarda do Quartel General do Exército prestou continência a mim, o Soldado Constitucionalista, o prisioneiro que alcançava a liberdade. Olhei o relógio, já na rua: eram dois minutos de 25 de setembro, dia do meu aniversário!




A CAUSA ESTÁ PERDIDA!


Fui andando a pé até a sede do Flamengo, que fazia frente com o Palácio Guanabara, transbordante de soldados e fuzileiros navais. Um automóvel passa faz a volta completa e para na minha frente, Estou frito, desta vez vão prender-me! – penso. Desceu o Floriano, goal-keeper do Flamengo; o outro seguiu, era o Silvio Pessoa, da Polícia.
Ele diz ao Floriano: - Abra-me a porta, eu sou um paulista fugido. A porta abriu-se, e o Flamengo agasalhou o Tenente. Eram duas horas da madrugada. Todos que dormiam lá dentro, acordando, quiseram saber:
- Como vai o Movimento de São Paulo?
Luís Araripe Sucupira vendo-se entre amigos, baixou a cabeça, e desta vez respondeu:
Está tudo perdido! 

Transcrição do texto da reportagem de Margarida Izar, publicada no jornal Diário da Noite em 1957.





Luís Araripe Sucupira com dois companheiros, na véspera da violenta
Batalha de Amparo, no dizer do "Correio da Manhã", de 3 de outubro de 32 -
" as metralhadoras funcionavam vinte e ensurdeciam as descargas dos fuzis."

















As imagens acima são as que acompanhavam a matéria, as fotografias referem-se à Batalha em Amparo, SP, a ilustração é de PUIG.





Fonte.

Jornal “Diário da Noite”, Edição Especial de 09 de julho de 1957 (arquivo pessoal).




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
17/02/2018.



domingo, 4 de fevereiro de 2018

BALUARTE DO SETOR SUL.





Antonio Dourado, hoje delegado de Polícia, vestiu a farda e seguiu em 32 no 2º Pelotão da 2ª Companhia do Batalhão 9 de Julho, o Batalhão Acadêmico, que foi um dos baluartes do Sul. Era estudante de Direito e tinha 21 anos, variando a idade de seus companheiros de 20 a 25, e havendo entre eles dois menores, de 16 anos, RICARDO GONÇALVES e BRUNO MELO TEIXEIRA. Como faltassem oficiais, deliberou-se que os próprios componentes dos pelotões escolhessem um companheiro para fazer o curso de emergência que o Prof. Jorge Americano dirigia. No 2º Pelotão, Dourado foi escolhido e comandou. Ele nos conta o roteiro seguido:
“Fomos inicialmente para Itararé onde o Batalhão Acadêmico guarneceu o Setor Sul, ao lado do 8º Batalhão da Força Pública, que se salientou por sua bravura. Pouco ficamos aí porque um espião, que era fogueteiro, soltou foguetes para assinalar ao inimigo o flanco mais fácil de ser atacado, rompendo assim a resistência. As tropas tiveram então de recuar para Faxina, hoje Itapeva, onde as moças e senhoras nos receberam com flores – uma flor na boca do fuzil de cada soldado.
Mas a topografia não se prestava para a defesa, e fomos plantar a nossa resistência em Buri, cabendo ao Batalhão 14 de Julho fazer a cobertura do Setor de Fundão, a fim de evitar que os ditatoriais, dando a volta por Capão Bonito, atacassem as nossas tropas pelas costas. Foi aí, em Fundão, que tivemos os nossos primeiros e grandes combates, rompendo a fuzilaria de encontro ao grosso de uma tropa gaúcha”.
Foi aí que quatro soldados de capacetes, num assomo de renúncia à vida, saltaram das trincheiras e com galhos de árvores apagaram o capinzal incendiado, cuja fumaça vinha protegendo o avanço inimigo. Eram estes bravos o TENENTE DOURADO, WALTER MERIGO, ARNALDO LERRONI e JOSÉ FERRARI.
- “Neste combate – diz Dourado – morreram, atingidos pelo impacto de uma granada, três jovens do nosso pelotão, ALONSO DE CAMARGO, irmão de LAUDO DE CAMARGO, LAURO DE BARROS PENTEADO e RUBENS FRAGA DE TOLEDO ARRUDA. Este tinha mais dois irmãos lutando, sendo que um deles, FERNANDO, estava perto de mim. Ao lhe comunicarem que RUBENS tinha morrido, mordeu os lábios até fazer sangue gritando – “Não faz mal, que seja por São Paulo!” e continuou atirando. Quanto a LAURO DE BARROS PENTEADO, com o rombo aberto nas costas pelo impacto da granada, mesmo assim, ferido, ditou duas cartas, o adeus à mãe e à noiva.
O Batalhão 9 de Julho seguiu depois para um repouso em Itapetininga, e mandado a esta Capital para o desfile de 7 de Setembro, regressou logo para o Sul, guarnecendo a celebre linha Rio das Almas Paranapanema, no Setor de Serrado, onde tiveram lugar batalhas acirradas, perdendo-se muitas vidas do Batalhão 14 de Julho. Do nosso pelotão, morreu CLINEU GUIMARÃES.
Foi então que o comando da Força Pública fez acordo em separado, ordenando que se retirassem os batalhões da corporação. A linha de frente foi invadida e os batalhões de voluntários, impossibilitados de continuar o combate, tiveram de se retirar, cessando as hostilidades”.
As batalhas mais duras do Batalhão 14 de Julho foram as de Serrado e Fundão, sendo que nesta frente os soldados do 2º Pelotão chegaram a ficar 12 dias na trincheira, dormindo encharcados. No sul havia muitos batalhões de voluntários, entre eles o “Borba Gato”, “Cavalaria do Rio Pardo”, o “Batalhão do Brás”, o “Batalhão Estrangeiro” e a “Legião Negra”. “A Causa Constitucionalista arregimentou mais homens que a Revolução Francesa e ganharíamos se não faltassem armas e munições. Mas neste ponto o combate foi desigual. Tínhamos no Sul apenas um canhão contra mil dos adversários. Não possuíamos também aviões e sofríamos continuados bombardeios dos “vermelhinhos”, os aviões ditatoriais. Não tendo da mesma forma metralhadoras antiaéreas, voltávamos para o ar a boca do fuzil, abrindo fogo contra os aviões incursores. E muitos foram assim abatidos”.


                                                                                        
Transcrição de publicação do Jornal Diário da Noite, 1957.




2 voluntários: o amazonense Carlos Crespo de Castro e
Lauro de Barros Penteado, falecido em combate por impacto de granada.
Com um rombo nas costas dita o adeus à mãe e à noiva




Os gaúchos caem na emboscada que lhes prepararam os soldados
do 2º Pelotão. Nota-se o oficial da brigada sul riograndense de
talabarte e pé no chão




Secção de Bombardas, da Legião Negra. A bombarda foi arma criada em
São Paulo, tendo sido vitima da experiência inicial Marcondes Salgado,
comandante da Força Pública. Esta arma, aperfeiçoada, foi usada, com êxito
pelas Nações Unidas na guerra. Ao lado, o Ten. Dourado, acadêmico de 
Direito, 21 anos. Comandou o 2º Pelotão.





Soldados de capacetes e provisórios da brigada gaucha acabam-se
confraternizando, depois que se esclarece não ser a Revolução separatista.










          As legendas das fotografias são as originais, publicadas no jornal. As imagens, algumas inéditas, não são muito nítidas porque o jornal está desgastado pelo tempo.





Fonte.
Jornal “Diário da Noite”, edição Especial, 09 de julho de 1957. (Arquivo pessoal).





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
04/02/2018.
                  

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CAMPANHA DOS MIL ASSOCIADOS







A Sociedade Veteranos de 32-MMDC tem como princípios estatutários a preservação, na memória do povo, a dignidade e a grandeza do Movimento Constitucionalista de 1932 e. para tanto, promove eventos cívico-militares e religiosos visando a rememorar os feitos e figuras expressivas da EPOPEIA DE 32, principalmente nas datas de 23 de maio, 9 de julho e 2 de outubro.
Congrega os sócios em um corpo único, com o intuito de defender intransigentemente, os interesses da classe, sem nunca perder de vista a inserção da mesma no campo dos altos objetivos nacionais.
Promove o entrosamento dos descendentes dos veteranos, oficiais e praças da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em atividade ou inativos, visto que são herdeiros das tradições da Corporação, na sua participação ativa no Movimento Constitucionalista de 1932.
Imortaliza os despojos dos heróis constitucionalistas no Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista na solenidade de 9 de Julho.
Organiza núcleos na capital e no interior de São Paulo, mantendo estreito relacionamento com o Comando da Polícia Militar do Estado, com vistas às suas finalidades. Atualmente foram criados nos último anos cerca de 66 núcleos, principalmente na Academia de Policia Militar do Barro Branco, Escola Superior de Sargentos, Escola Superior de Soldados, Escola Superior de Bombeiros, e também em várias Unidades da Capital (Regimento de Polícia Militar “9 de Julho”, 1º BPChq “TOBIAS DE AGUIAR”, etc.).
Defende o modo de vida brasileiro e as tradições, ideais e interesses da Pátria, em concordância com os preceitos constitucionais, intransferíveis e impostergáveis, atribuídos a todos os brasileiros.
Foi reconhecida de utilidade pública pelo Decreto Estadual nº 5.530, de 14 de janeiro de 1960 e pelo Decreto Municipal nº 8.790, de 23 de maio de 1979.
Tendo em vista a expansão da Sociedade Veteranos de 32-MMDC nos últimos anos, há uma necessidade urgente de lançarmos a Campanha dos Mil Associados, tendo como polos geradores do novos participantes da Sociedade os seus Núcleos.
As pessoas que estiverem interessadas em participar dessa luta iniciada em 7 de julho de 1954, movidas principalmente pelo espírito cívico-patriótico, poderão entrar em contato com A Sociedade Veteranos de 32-MMDC através dos e-mails sociedade32@gmail.com ou celmario@gmail.com ou ainda através do telefone 3105 8541. Poderão também comparecer pessoalmente à Sociedade, atualmente localizada, para fins de trabalho, no Museu Militar da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Rua Doutor JORGE MIRANDA, 308, no bairro da LUZ.
Os Núcleos da Sociedade Veteranos de 32-MMDC, tanto na cidade como no interior de São Paulo irão participar ativamente na CAMPANHA DOS MIL ASSOCIADOS, tendo como meta, além dos princípios estatutários, o fortalecimento da Instituição e a busca constante de novos destinos para o MMDC.   
Cel. Mario Fonseca Ventura, Presidente da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC.





Entre em contato – sociedade32@g.mail.com
Coronel PM – MARIO FONSECA VENTURA
Presidente Sociedade Veteranos de 32 - MMDC
Praça Ibrahim Nobre, s/nº
Vila Mariana - SP - CEP 04008-140
(OBELISCO DO IBIRAPUERA)
Celular/ WhatsApp (11) 94716-8050
11 3105-8541






Poderá entrar em contato, também, com os Núcleos MMDC de sua cidade ou região.


Faça parte desta História, ajude a preservar a memória dos Combatentes Constitucionalistas da Revolução de 1932!



Publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
01/02/2018.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Aniversário de São Paulo / 2018.



... Um 25 de Janeiro ficou para sempre na História desta parte do Novo Mundo. Foi o de 1554 em que alguns clérigos, deixando o lugarejo de São Vicente, a beira do Atlântico, subiram a Serra do Mar e, chegando aos campos, chamados Piratininga pela nação que neles habitava, aí inauguraram seu primeiro e rústico templo...           (A. Schimidt).


Ilustração de Messias de Mello para o jornal "A Gazeta" (1954).





A CASA DO SENHOR SÃO PAULO

                                                                                 Narbal Fontes.




Que fim levou a casa do Senhor São Paulo
que era de pau a pique
e de sapé,
recoberta de palmas de pindá
e construída com a ajuda do cacique
Tibiriçá?!

Tinha catorze passos de comprido
e dez de largo.
Era, pois, bem modesta e, sem embargo
do espaço reduzido,
era, a um tempo, colégio, refeitório,
cozinha, enfermaria, dormitório,
além de oficina... E, ao lado dela,
uma pobre capela.

Aos fundos, um pomar recém plantado,
um poço de boa água, romãzeiras,
hortaliças viçosas
e, no cercado,
roseiras trepadeiras
se desmanchando em rosas...

 Na casa do Senhor São Paulo
era uma trabalheira
noite e dia.
O primeiro professor,
o Irmão José de Anchieta,
que além de grande língua era poeta,
ensinava aos piás
canções em nhengatú, de sua lavra,
louvando ao Senhor...
O Irmão carpinteiro
batia sola o dia inteiro;
o Irmão imaginário
lavrava imagens e contas de rosário;
o primeiro arquiteto,
- o padre Afonso Braz,
traçava com o petipé
graciosos projetos
de construções, para todos os fins,
que iam sendo erguidas no povoado.
E durante a noite, ainda, o Irmão José,
tão, desencadernado das costas,
quando não estava orando, de mãos postas,
estava à mesa debruçado,
escrevendo as cartinhas do abecê
para os curumins...

A casa do Senhor São Paulo
não desapareceu...
graças ao divino fermento,
transformou em monumento
cresceu, cresceu, cresceu...

Cresceu para trás e para frente,
para cima e para os lados,
alastrou-se em telhados,
multiplicou-se em paredes e andares,
dividiu-se em aposentos aos milhares,
fenestrou-se em milhões de portas e janelas,
rompeu em avenidas, por ladeiras e vielas,
várzeas e pontes, colinas e montes,
e ei-la feita São Paulo,
- São Paulo simplesmente
ao qual, em gesto fecundo,
o destino concedeu o privilégio
de ser a cidade única do mundo
que nasceu de um colégio!...




foto P. Cursino de Moura - Largo do Palácio onde se fundou São Paulo,
 em 1554 nos tempos coloniais - Colégio dos Jesuítas.





Flagrantes, em fotografias, do desfile realizado em 1954, durante as comemorações do IV Centenário de São Paulo.




Ex combatentes de 32 em desfile nas comemorações do IV Centenário de S.Paulo.






Banda da Guarda Civil, desfilando pela Av. 9 de Julho em 1954.






Comemorações em frente à Faculdade de Direito em S.Paulo, 1954.





Banda Militar em desfile representando o famoso Batalhão de Guardas, 1954.





Capa revista comemorativa do IV Centenário de S.Paulo, 1954.







O Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna” parabeniza a cidade de São Paulo na passagem do seu 464º aniversário.


                                                              


Fonte, arquivo pessoal.


Revista “13 Listas”, abril de 1953, Ano I, Nº1.

Revista “A Noite Ilustrada”, 20 de julho de 1954, Ano XXV, Nº1325.

Jornal “A Gazeta”, Edição Comemorativa do 4º Centenário de São Paulo, 25 de janeiro de 1954.





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
24/01/2018.


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

“NÃO HÁ CALVÁRIO SEM RESSURREIÇÃO.”



Ilustração não consta o autor.




Soldado da nossa Terra! Tu fostes de 32!
Estiveste em Cruzeiro, em São João, pelo Rio Pardo, no Gravy, no Taboado, nas grimpas do Túnel, nas escarpas de Cunha, nas clareiras de Campinas, pelos vales e rios, pelas montanhas, por todos os passos de uma Via - Crucis de 3 meses, a sopesar o madeiro em que Te crucificando, a Pátria, a si própria, se crucificava! Valente Voluntário Paulista! onde houve chão da nossa Terra, uma Trincheira cavaste, leal e bravia, de onde a garganta faminta do teu fuzil, afirmava entre balas fundidas de teu oiro, o honesto clamor da Liberdade! Por onde Tu passaste em episódio se perpetuou de Luz e Sacrifício. Pontilhaste de Beleza o amplo abraço chorográfico dos nossos limites! E foste Fernão Salles, em Pouso Alegre e a cabeça de herói varada por um tiro; e foste José Preiss, nas barrancas de Campos. Novos, o coração de bravo atravessado a baioneta; e foste o Major Novaes, em Cruzeiro, o forte peito cerzido de metralha; e foste Bittencourt e José Gomes; que os céus transformaram em flama para batismo do nosso Mar! Foste Cajado e Ivampa, e Antônio Santos! Viveste com Barros Penteado e Gustavo Borges! Pulsaste a carótida aberta do General Salgado! foste toda, a imensa, a eterna constelação dos nossos Mortos! Ficastes na luminosa cegueira de Marsillac Fontes na estética heróica dos nossos Mutilados! A alma de São Paulo, Tu eras! Levavas em Teu Sangue os impositivos da Raça e no Teu Rosto as razões do Pudor! Inspirada pelo esplendor da Causa, a Tua marcha tinha as supremas decisões da Fé! Retesaste o arco da Taba e desferiste a Seta Sagrada, em cuja trajetória, se demarcou um sulco de Sol, o ruma d’amanhã! Tiveste também o Teu Calvário! Eras o Cordeiro da Pátria, a se redimir os crimes da Ditadura! Preferiram Barrabás! era o predestino dos Evangelhos. E depois das horas agônicas de um Armistício os dados disputaram a Tua túnica. Era o cálculo da política! Irmão de 32! Teu sacrifício não vale para nós como saudade que se chora nem como efeméride que se comemore num feriado! Vale como Honra que se soma, como lume que se conserva, como Religião que se cultua! Honra que se acumulou, vale com um dever, a murmurar constantemente, aos nossos ouvidos, a palavra jurada de Intransigência e de Fé! Toda a Fé impõe um Calvário. Porém Calvário não há sem Ressurreição!

IBRAHIM


      Transcrição de texto, de Ibrahim Nobre, publicado no jornal “A Gazeta” de 09 de julho de 1935. (Arquivo pessoal).



Primeira página do jornal (09/07/1935).



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
19/01/2018.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

SOLDADOS E BATALHÕES CONSTITUCIONALISTAS.







                     Encontrei, em jornais antigos, algumas listas com nomes de participantes, de Batalhões da Revolução Constitucionalista de 1932 e diversos setores que estiveram envolvidos. Estas informações podem ser uteis para muitos que procuram sobre parentes que participaram da Revolução de 32 e também para conhecer um pouco das diversas atividades desenvolvidas, as quais poderão ser visualizadas na transcrição a seguir:


                      Alguns integrantes do Regimento Esportivo que combateram no Setor Leste (Região Mogiana):

Oficiais do 1º Batalhão Esportivo:

 CAP. ARNE ENGE,
CAP. MAX DE BARROS ERHART,
CAP. HENRIQUE DE AGUIAR VALLIM,
1º TENENTE J. B. MELLO MONTEIRO.


Oficiais:

CLÓVIS TEIXEIRA,
GETÚLIO CANDIDO DE TOLEDO,
ALDO TRAVAGLIA,
ANTÔNIO CARVALHO NETO,
ARLINDO LOMONACO,
GUILHERME AMORIM,
ARTHUR FRIENDENRICH,
LUIZ MARTINEZ,
JOÃO ROCHAEL DE MELLO,
ANTÔNIO REFINETTI,
OSWALDO DE OLIVEIRA,
ORLANDO SALGADO,
ARTHUR CORDEIRO,
ANTÔNIO CAPELINI E
PAULO SILVEIRA SANTOS.


Informações no Jornal A Gazeta de 08 de julho de 1958.




Batalhão Esportivo.




                  As seguintes informações foram obtidas no programa comemorativo do 9 de Julho de 1957 em São Paulo, publicado no jornal Diário da Noite, é a formação no desfile pelos Batalhões Constitucionalistas e seus Comandantes:


COMANDANTE DO DESFILE – CORONEL ANTÔNIO DE PAIVA SAMPAIO; MOTOCICLISTA VOLUNTÁRIOS DE 32,
REGIMENTO DE ENGENHARIA (SAPADORES),
AVIAÇÃO CONSTITUCIONALISTA E
ARTILHARIA (BOMBARDA E SAPINHOS).



SETOR NORTE


2ª D.I.O. (COMANDANTE GENERAL EUCLIDES FIGUEIREDO E ESTADO MAIOR); POLICIA MILITAR DA DIVISÃO EUCLIDES FIGUEIREDO; 1º BATALHÃO R DO 6º R.I. (DESTACAMENTO ABÍLIO DE REZENDE); BATALHÃO AMADOR BUENO; BATALHÃO PIRATININGA DE CAÇADORES; BATALHÃO BAHIA; 3ª COMPAINHIA DO 1º B.C.R.;4ºB.C.R. – COLUNA BOAVENTURA (PELOTÃO DE ANGATUBA E PELOTÃO DE OLIMPIA); BATALHÃO JACQUES FELIX; 5º B.C.R. 1º E 2º BATALHÕES DA FORÇAS DA LIGA  DE DEFESA PAULISTA; 11ºB.C.R. (BATALHÃO BENTO GONÇALVES); BATALHÃO GENERAL OSÓRIO; 2ºB.C.R. (VOLUNTÁRIOS DE PIRATININGA); 1º BATALHÃO DE JUSTIÇA; 2º B.C.R. DE PIRAÇUNUNGA; COLUNA DA MONTANHA; DEPÓSITO DE REMONTA “MOREL”; BATALHÃO SANTOS DUMONT; BATALHÃO BATISTA DA LUZ; 1º B.C.R.; 8º B.C.R.; BATALHÃO SALDANHA DA GAMA; BATALHÃO ARQUIDIOCESANO; BATALHÃO 7 DE SETEMBRO; LEGIÃO NEGRA; 2º B.C.R.:TREM BLINDADO Nº1; 4º ESQUADRÃO DE CAVALARIA DE CASTRO; BATALHÃO DOS FUNCIONÁRIOS PUBLICOS; BATALHÃO PIRACICABANO; BATALHÃO FERROVIÁRIO; BRIGADA MINAS GERAIS; BATALHÃO HENRIQUE DIAS; COMPANHIA DO 3º BATALHÃO DO 5º R.I.,BATALHÃO CAMPOS SALLES; 4ºR.I.; 4º BATALHÃO DE CAÇADORES; 1ªCOMPANHIA DO 2º BATALHÃO DE ENGENHARIA; BATALHÃO BRAGANTINO; 2º GRUPO DE ARTILHARIA DE JUNDIAÍ; 4º R.A.M. DE ITU; COLUNA DO CAPITÃO SANDI; CASA DE DESCANSO DO SOLDADO; MARIANOS DAS TRINCHEIRAS.



SETOR LESTE (MOGIANA)


1º B.P.M.C.- COLUNA ROMÃO GOMES, BATALHÃO 23 DE MAIO; BATALHÃO PAES LEME; BATALHÃO RIO GRANDE DO NORTE; BATALHÃO MARCONDES SALGADO; 2º B.E. E COMPAINHIA ANHANGUERA; 1º, 2º E 3º BATALHÃO DO REGIMENTO ESPORTIVO; ESQUADRÃO DE CAVALARIA CHICO VIEIRA; BATALHÃO NOSSA SENHORA APARECIDA; BATALHÃO PRINCESA ISABEL, TREM BLINDADO Nº3; 1º, 3º E 4º BATALHÕES DO REGIMENTO 9 DE JULHO; BATALHÃO DO BRÁS; BATALHÃO VETERANOS DE CAMPINAS; ESQUADRÃO DE CAVALARIA NEWTON PRADO; BATALHÃO FRANCISCO GLICÉRIO; BATALHÃO RAPOSO TAVARES; 2º BATALHÃO DE JUSTIÇA: 1ª COMPAINHIA DA LEGIÃO PAULISTA; BATALHÃO VOLUNTÁRIOS PROFESSORES; BATALHÃO PINHALENSE; GUARDA CIVIL (VOLUNTÁRIOS DE 32); BATALHÃO 8 DE SETEMBRO, DE AMPARO; 18ºB.C. DE MATO GROSSO DE CAMPO GRANDE; ESQUADRÃO DE CAVALARIA RIO PARDO.



SETOR SUL


COMAMDO GERAL; GENERAL BRASILIO TABORDA E ESTADO MAIOR: BATALHÃO 14 DE JULHO; BATALHÃO BORBA GATO; 1º B.A.F.P. – BATALHÃO BARBOSA E SILVA; BATALHÃO CONSTITUCIONALISTA (PRESIDENTE PRUDENTE); BANDEIRANTES DO OESTE (PRESIDENTE VENCESLAU E CAYUÁ); BATALHÃO MARECHAL FLORIANO PEIXOTO; CIA. DE GRANADEIROS FLORIANO PEIXOTO; 1ºB.C.P; 6º B.C.R.; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º E 7º B.C.V. – BRIGADA DO SUL; BATALHÃO CORONEL THEOPOMPO DE VASCONCELOS; 7º B.C.R.; 9º B.C.R.; BATALHÃO IBRAHIM NOBRE; BATALHÃO MARCILIO FRANCO; 10º B.C.R. (COLUNA ADACTO DE MELLO); 1ª E 2ª COMPANHIA DO BATALHÃO UNIVERSITÁRIO FERNÃO SALES; TREM BLINDADE Nº 2; ESQUADRÃO DE CAVALARIA  CEL. CORREA VELHO; BATALHÃO PARAIBUNA; BATALHÃO CHAVANTENSE (CHAVANTES); REGIMENTO DE CAVALARIA DO RIO PARDO (2º ESQUADRÃO); BATALHÃO JAUENSE: 1º B.R.E.; 4º B.C.P. MISTO; 1º B.Z.A. (BATALHÃO DA ZONA DE ASSIS); 2º BATALHÃO DO REGIMENTO 9 DE JULHO; 1º ESQUADRÃO DE RESERVA DO 2º R.C.D.; ESQUADRÃO CORONEL ARTIGAS;  ESQUADRÃO JARDIM DO 11º B.C.I.; BATERIA ARTILHA CAPITÃO VARELA; BATALHÃO AVARÉ; 2ª COMPANHIA BATALHÃO LEGIÃO PAULISTA; 1º BATALHÃO DE OLIMPIA, A.R.S. MÉDICA (UNIDADE CIRURGICA ITALIA) – TEM. CEL. BENEDICTO MONTENEGRO; BATALHÃO DIOCESANO DE BOTUCATU.



SETOR LITORAL


BATALHÃO SANTO AMARO; BATALHÃO FERRAGISTA, COLUNA CORONEL MELLO MATOS, GUARNIÇÃO DO FORTE DE ITAIPU (VOLUNTÁRIOS DE 32); TIRO NAVAL DE SANTOS.



SETOR MATO GROSSO


VOLUNTÁRIOS DE MATO GROSSO.



AGRUPAMENTO FINAL


VOLUNTÁRIOS DE EMERGÊNCIA (EX COMBATENTES DA FORÇA PÚBLICA).
EXÉRCITO BRASILEIRO VOLUNTÁRIOS DE 32.
VOLUNTÁRIOS DO PARANÁ.
VOLUNTÁRIOS DO PARÁ.
EXILADOS CONSTITUCIONALISTAS.
MULHER SÍMBOLO E GUARDA.
SERVIÇOS DE RETAGUARDA: DEPARTAMENTO DE ASSISTÊNCIA AOS FERIDOS NA REVOLUÇÃO SEÇÃO DE COSTURA (LIGA DAS SENHORAS CATÓLICA); SEÇÃO DE COSTURA E CASA DO SOLDADO (FEDERAÇÃO INTERNACIONAL FEMININA) E CURSO DE ENFERMAGEM “DR. JOSÉ AVELINO CHAVES”; SEÇÃO DE COSTURA DO ROTARY CLUB.



M.M.D.C.


CASA DO SOLDADO; CASAS DE FORMIGA, “LUNCH” EXPRESSO, ABASTECIMENTO (ASSOCIAÇÃO COMERCIAL), ALISTAMENTO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA MILITAR, ASSISTÊNCIA ÀS FAMILIAS DOS COMBATENTES, ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS DO NORTE, CONCENTRAÇÃO JARDIM DA INFÂNCIA, CONCENTRAÇÃO PRUDENTE DE MORAES, CORREIO MILITAR, CURSO DE OFICIAIS DE EMRGÊNCIA, DEPARTAMENTO DE DONATIVOS, DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA, DEPARTAMENTO DE FARDAMENTO E EQUIPAMENTO, DEPARTAMENTO DO INTERIOR, PUBLICIDADE (JORNAIS E RADIOS), QUARTEL CENTRAL DE MOTORISTAS.



SERVIÇO DE SAÚDE


CRUZ VERMELHA BRASILEIRA E SEÇÃO DE COSTURA, CRUZ AZUL DE SÃO PAULO E SERVIÇOS DE SAÚDE, CRUZ VERDE DO CENTRO DO PROFESSORADO PAULISTA, CRUZ VERMELHA DE SANTOS, SERVIÇOS DE SAÚDE E GUERRA (MÉDICOS, FARMACÊUTICOS, DENTISTAS, ENFERMEIROS(AS), SERVIÇOS SANITÁRIOS DO ESTADO, S.A.T.O. (SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO ÀS TROPAS EM OPERAÇÃO); C.O.C. (CIRURGIA ODONTOLÓGICA DE CAMPANHA).



SERVIÇOS AUXILIARES


Q.C.M. – REGIMENTO DE TRANSPORTES DE GUERRA, SERVIÇOS DE GUERRA DA ESCOLA POLITÉCNICA, DEPARTAMENTO CENTRAL DE MUNIÇÕES, SERVIÇOS DE ENGENHARIA TÉCNICA DE GUERRA, SERVIÇOS DE POLICIAMENTO CIVIL DA CAPITAL, SERVIÇOS DA GUARDA NOTURNA DA CAPITAL, (CHAPINHAS), CAMPANHA DO OURO PARA SÃO PAULO, ASSISTÊNCIA ÀS VIÚVAS E ÓRFÃOS DA REVOLUÇÃO, C.I.D.T. (DELEGADOS TÉCNICOS), CRUZADA PRÓ INFÂNCIA, QUARTEL AVENIDA (LEGIÃO PAULISTA), C.P.O.R. ESCOTEIROS CONSTITUCIONALISTAS.


Informações do Jornal Diário da Noite, 2º caderno, Edição Especial de 09 de julho de 1957.


Batalhão da Força Pública.






Batalhão Theopompo







 Fonte.
Arquivo pessoal.

Imagens.






Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
09/01/2018.